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Posicionamento do oficial do
Departamento de Aterosclerose da SBC sobre o risco de miopatias
com a dose de Sinvastatina de 80 mg
Dr Renato Jorge Alves em nome da Diretoria do Departamento de
Aterosclerose da SBC
Recentemente o Food and Drug Administration (FDA) (http://www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/PostmarketDrugSafetyInformationforPatientsandProviders/ucm204882.htm)
advertiu os pacientes e profissionais de saúde sobre o potencial
aumento do risco de lesão muscular com o uso de sinvastatina 80
mg/dia. A advertência destaca o risco maior de desenvolver lesão
muscular, incluindo rabdomiólise, para pacientes em uso de doses
elevadas de sinvastatina. Rabdomiólise é a forma mais grave de
miopatia e pode levar a danos renais graves, insuficiência
renal, e às vezes morte.
A revisão do FDA sobre o risco de lesão muscular é originada de
ensaios clínicos, estudos observacionais, relatórios de eventos
adversos e de dados da prescrição médica. O alerta se baseou no
estudo clínico Study of the Effectiveness of Additional
Reductions in Cholesterol and Homocysteine (SEARCH) ainda não
publicado na íntegra. O estudo SEARCH avaliou a incidência de
eventos cardiovasculares maiores (IAM, revascularização
miocárdica e morte cardiovascular) em 6.031 pacientes que
estavam tomando 80 mg de sinvastatina, comparado com 6.033
pacientes usando 20 mg de sinvastatina. O período de seguimento
do estudo foi de 6.7 anos.
Resultados preliminares mostraram que mais pacientes usando
sinvastatina 80mg desenvolveu miopatia, comparado ao grupo
sinvastatina 20mg (52 [0,9%] casos vs um caso [0.,02%]). Também,
11 (0,02%) pacientes no grupo sinvastatina 80 mg tiveram
rabdomiólise, enquanto nenhum paciente do grupo sinvastatina 20
mg desenvolveu-a.
O risco de miopatia e mialgia também poderia estar relacionado
ao polimorfismo do gene SLCO1B1. Polimorfismos do nucleotídeo
único nas enzimas do citocromo P450 prejudicaria o metabolismo
da estatina.
Contudo, o risco de eventos adversos parece ser maior entre
usuários de sinvastatina e mínimo nos de pravastatina.
Apesar da ocorrência de miopatia e/ou mialgia ocorrer com o uso
de praticamente todas as estatinas, seu aparecimento é
extremamente raro, sendo também dependente da dose empregada e
da via de metabolização destes medicamentos. Esta complicação
parece ser mais frequente em determinados grupos de indivíduos,
tais como pacientes portadores de hipotireoidismo, doença renal
crônica e em idosos que, além de usarem vários tipos de
fármacos, muitos seriam metabolizados pelo citocromo P450.
Especial atenção também deveria ser reservada a indivíduos com
fibromialgia e/ou outras moléstias musculares.
Obviamente, com o advento de estatinas mais potentes e das
combinações medicamentosas, a dosagem de 80 mg de sinvastatina
poderia ser eficazmente substituída pelo uso de atorvastatina
20-40 mg, rosuvastatina 10-20 mg ou a combinação estatinas/ezetimiba
(sinvastatina ou outras estatinas em combinação fixa ou não).
Grandes estudos clínicos, como o HPS e o 4S, já demonstraram
relevante eficácia e segurança com o uso de sinvastatina em
doses baixas e moderadas (20 a 40 mg/dia). Enfim, os dados da
literatura vigente apontam relevante sucesso terapêutico e raros
índices de complicações com uso de sinvastatina nessas doses.
Assim, o Departamento de Aterosclerose da SBC posiciona-se a
favor de um tratamento contínuo e ininterrupto com estatinas,
enfatizando o uso da dose de 40 mg de sinvastatina caso esse
medicamento seja o escolhido pelo médico com o propósito de
alcançar as metas preconizadas. Especial atenção deve ser
reservada no seguimento dos pacientes, principalmente naqueles
que apresentam maior chance de desenvolver eventos adversos.
Caso seja necessárias maiores reduções do LDL-C em usuários de
sinvastatina 40 mg, sugerimos que a dose de 80 mg seja evitada e
como alternativas utilizem-se estatinas mais potentes como
atorvastatina ou rosuvastatina ou a associação de estatinas com
ezetimiba.
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