Um estudo da Faculdade de Ciências Médicas
da Santa Casa de São Paulo, coordenado pelo presidente do
Departamento de Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de
Cardiologia (SBC/DECAGE) e que foi apresentado
recentemente no Congresso do Colégio Americano de Cardiologia
em Atlanta, revela um dado intrigante: os idosos com
diagnóstico de pressão alta podem ter hipotensão, ou seja,
pressão baixa. Cerca de 85% dos pacientes com mais de 65 anos
do Serviço de Cardiologia da Santa Casa, com diagnóstico de
pressão alta e medicados, tiveram em algum momento do dia uma
quadro de hipotensão.
O professor de Cardiologia da Faculdade de
Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e presidente do
DECAGE,
Ronaldo Fernandes Rosa, explica que os idosos tiveram a
pressão monitorada por 24 horas e assim foi possível constatar
distorções. "As pessoas com mais de 65 anos apresentam,
historicamente, uma variação de pressão ao longo do dia e o
diagnóstico apenas no momento da consulta pode não refletir a
verdadeira situação do paciente", diz.
Ronaldo Fernandes Rosa conta que o momento
da consulta pode interferir no resultado do exame. É o que os
médicos chamam de Síndrome do Avental Branco, onde o paciente
acaba tendo uma pressão mais elevada por estar num ambiente
diferente e as vezes até um pouco tenso pela expectativa de um
diagnóstico negativo, por exemplo.
A pesquisa feita na Faculdade de Ciências
Médicas da Santa Casa de São Paulo também revelou que em 35%
dos casos foi diagnosticada pressão alta mesmo com a entrada
de medicamentos. A hipertensão ocorreu mais no período noturno
e foi mais presente entre as mulheres. "O organismo feminino
tem uma variação de pressão maior do que o masculino e o
estudo pode comprovar essa oscilação", diz Ronaldo Fernandes
Rosa. O cardiologista constata que nesses casos o remédio foi
ministrado em doses menores do que a necessária.
O presidente do
DECAGE conclui
que o monitoramento por 24 horas da pressão arterial dos
idosos deveria ser uma prática mais freqüente, mas lembra que
o custo (cerca de R$ 120,00) ainda é um fator de limitação. Os
planos de saúde e os atendimentos públicos ainda não aplicam o
exame em larga escala nos pacientes idosos. "A pesquisa
constatou que informações não identificadas clinicamente, mas
reveladas pelo monitoramento, poderiam mudar a conduta em
muitos casos", finalizou.