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.: PORQUE A MEDICINA NUCLEAR PRECISA DE CARDIOLOGISTAS?

Embora essa discussão seja antiga no Brasil, a especialidade não pára de avançar e de se aliar a outros métodos de imagem em cardiologia. Exemplo evidente é o artigo do Journal of Nuclear Medicine de janeiro de 2006, órgão máximo dos especialistas nucleares de todo o mundo, onde se discute a cardiologia nuclear, tomografia computadorizada e ressonância magnética cardíaca  no diagnóstico cardiológico.

Nos últimos anos, temos percebido que principalmente nos EUA, as imagens cardíacas estão sendo unidas inclusive em uma só máquina como o SPECT-CT e PET-CT. Essa modalidade de estudo, ainda muito cara em nosso meio, parece ser o futuro dos estudos diagnósticos em cardiologia. Recentemente, foi aprovado pelo congresso brasileiro a modificação da constituição onde foi flexibilizada  a lei que refletia na CNEN permitindo que entidades, privadas ou não, possam fabricar e comercializar emissores pósitrons com meia-vida até 2 horas. O PET em cardiologia segue sendo o padrão ouro para viabilidade miocárdica

Esse poderosos instrumentos, onde a anatomia, fisiologia e clínica estão unidos em uma só análise podemos prever que o cardiologista é um excelente candidato a essa especialidade diagnóstica, desde que inclua a formação básica que essas modalidades exigem. Por outro lado, o médico nuclear que fez o curso regular, poderia ser reforçado na cardiologia de forma especial quando lotado em serviços onde  diagnóstico e avaliação cardiológica seja forte e utilizada com freqüência. Esse ponto viria de encontro com os clínicos e em especial com os cardiologistas.

Hoje temos no país cerca de 20 cardiologistas que cursaram medicina nuclear e um grande número que atuam apenas nos laboratórios de estresse. É uma ótima união. As especialidades, através da SBBMN, CBR e SBC, estão discutindo suas características e possibilidades de futura ação conjunta. A SBC, no próximo congresso em Recife, discute a formação de um novo departamento de Imagem Cardiovascular, unindo justamente as modalidades que originaram o artigo que discute as diferentes tecnologias conforme mostramos no início dessa discussão.

Sabemos que o instrumental são radioisótopos, raio-X ou ressonância magnética e os objetivos dessas especialidades são os diversos órgãos e sistemas. Essas modalidades diagnósticas são muito amplas e a cardiologia é parte desse todo, exigindo conhecimentos básicos da área. Todos são médicos. Por que  o cardiologista não opera no seu órgão alvo? Não seria a hora da SBBMN, CBR e  SBC criarem uma residência em imagem cardiovascular? Os especialistas das áreas específicas não poderiam incluir em sua formação, um curso de cardiologia? Quem perderia com isso? 

Cláudio Meneghetti
meneghetti@incor.usp.br

      

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