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Revista do ECG

Boletim 01 / 05

São Paulo, 21 de Fevereiro de 2005. Boletim 01/2005 



PORQUE REALIZAR UM ELETROCARDIOGRAMA?


A Eletrocardiologia engloba todos os métodos que são capazes de utilizar o eletrocardiograma como base inicial da informação, a qual depois de transformada, pode dar origem a novas formas de se compreender a ativação elétrica do coração.Vários métodos foram surgindo nestes mais de 100 anos de utilização do eletrocardiograma , decorrentes das necessidades mais específicas dos clínicos e contribuindo para aprimorar o diagnóstico das afecções cardíacas.O Sistema Holter ,para avaliação das arritmias durante 24 horas, o Teste Ergométrico para avaliação do coração durante o exercício físico e atualmente ,sistemas computadorizados sofisticados que incrementam mais ainda as informações do eletrocardiograma. O Sistema Looper capaz de captar eventos esporádicos das arritmias ,o Eletrocardiograma de Alta Resolução que também auxilia a predizer o aparecimento de uma arritmia e o Mapeamento Eletrocardiográfico de Superfície (Body Surface Mapping) que é um eletrocardiograma de mais de 80 pontos de observação do coração , todos exemplos da evolução da informação eletrocardiográfica conseguindo refinamento e muita maior precisão.

A necessidade da realização de um simples eletrocardiograma , após todo este aparato diagnóstico descrito, tem sido questionada inúmeras vezes, principalmente, depois que surgiram os métodos mais sofisticados capazes de substituir o eletrocardiograma , porém as observações clinicas vem demonstrando o contrário e o porque da referida importância. Desta forma quando temos uma evidência nacional de morte súbita , os especialistas vão para a mídia em geral falar da importância da avaliação cardiológica e da prevenção dos quadros fatais como neste episódio do jogador que faleceu dentro do campo de futebol. A comoção nacional também foi enorme quando perdemos o jovem Deputado Luiz Eduardo Magalhães por um quadro de obstrução das artérias coronárias, levando milhões de brasileiros a procurar avaliações médicas cardiológicas, assustados pela morte súbita de um jovem aparentemente saudável. A inscrição na entrada de um grande hospital americano define bem o que pensamos :”esta história de morte súbita não existe, leva anos para acontecer!” Assim uma boa consulta cardiológica e um eletrocardiograma bem interpretado pode afastar mais de 90% dos problemas cardíacos. O acompanhamento anual dos pacientes acima de 40 anos e com história familiar de doença do coração ou fatores de risco importantes ( colesterol alto , pressão alta , obesidade , tabagismo, etc.) pode prevenir os eventos fatais.
 
Outros exemplos do cotidiano são conhecidos como as drogas retiradas do mercado farmacêutico devido a possibilidade de levar os pacientes a morte súbita por arritmias.( antibióticos, anti-alérgicos, anti-depressivos e os próprios anti-arrítmicos). Como vimos em alguns casos ,a realização de um eletrocardiograma simples pode afastar a doença cardíaca ,as vezes congênita e assintomática ,a qual interagindo com a medicação inadequada pode ser fatal. Desta forma um bom curso de Eletrocardiologia com interpretações práticas e discussões clínicas pode preparar médicos e outros profissionais para avaliar os exames e evitar os eventos fatais.

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