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Estou valorizado
Embora seja totalmente a favor de qualquer medida que proíba ou
iniba o consumo de bebida alcoólica (sou abstêmio de nascença –
risos), devo confessar que essa lei recentemente assinada pelo
Presidente da Republica é um pouco (bastante) radical. Por
enquanto tubo bem, mas acho que o próprio Lula vai ter
dificuldade para dirigir quando perder o motorista oficial.
Embora seja bem provável que depois de deixar a Presidência ele
se mude com sua família para a Itália (para onde a dona Marisa
já preparou antecipadamente o visto), e possa tomar seu “vinho”
sossegado.
A quantidade permitida é mínima e já foi comparada a dois
bombons de licor. Uma amiga em Brasília me falou que bochechar
com Listerine também pode ser fatal na hora de passar pelo
bafômetro.
Agora tem o lado bom do problema (se é que é problema). Em
casamento não precisa mais se preocupar com a qualidade do
champanhe a ser oferecido aos convidados (vão ter que se
contentar apenas com o bolo), basta uma boa para os noivos
tirarem os tradicionais retratos, porque depois sempre tem
alguém que os levem para casa. A lógica mais racional para os
consumistas habituais (que não desejarem ser flagrados) é passar
a beber em casa ou no bar mais próximo (não estou aconselhando,
apenas mostrando alternativas), que permita voltar para casa
andando, antes que essa nova lei também não seja estendida aos
pedestres. Para mim, como médico, livrou-me do constrangimento
de perguntar se o cliente bebe. Basta perguntar se dirige, é bem
mais simples - risos.
Tem também o lado cômico da história, porque já começam a dizer
que aqui em Maceió vai demorar que aconteça a primeira a prisão
(meu filho já falou que só não deseja ser o primeiro bêbado
flagrado). O problema, dizem, que será mais ou menos como
naquela piada do inferno: “quando tiver guarda, não vai ter
bafômetro; quando tiver bafômetro não vai ter guarda; e, quando
tiver guarda e bafômetro, vai faltar gasolina para os carros
saírem em blitz ou faltarão bêbados”. Das possibilidades acima
citadas, acredito (não, tenho certeza), o que nunca vai faltar
são os guardas. Certa feita estava vindo de carro com minha
filha e perguntei-lhe: ”filha, qual a população atual de
Maceió”. Ela respondeu-me assim: “painho, acho que um milhão e
meio”. Eu então lhe disse: “é muito minha filha”. Ela rindo,
completou: “é que, pelo menos, quinhentos mil são guardas da
SMTT”.
Semana passada, estranhei o convite de um casal amigo que nunca
mais havia ligado para dar uma saidinha. Depois que manifestei a
minha surpresa eles confessaram que, além da saudade que estavam
de mim, desejavam mesmo era um motorista para trazer o carro de
volta para casa. Como não bebo passei a ser valorizado.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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