|
Universo feminino
Participava de um almoço de trabalho com uma colega médica,
funcionária graduada de um grande laboratório farmacêutico.
Sempre muito pragmática e objetiva nas discussões, enquanto o
assunto foi trabalho, surpreendeu-me quando o tema ficou mais
ameno (durante a sobremesa) e tratamos de futilidades.
Perguntei-lhe como havia passado o carnaval, e percebi a sua
transformação ao afirmar que havia optado por uma espécie de
retiro espiritual. Descreveu o local escolhido como sendo
situado à beira de uma represa, cercado de vegetação, e sem o
barulho tão comum nesse período. Em seguida, revelou-me um lado
até então desconhecido. Era, além de médica e funcionária do
primeiro time da indústria, pintora nas horas vagas, e estava
preparando uma vernissage. O tema, comemorativo ao dia
internacional da mulher, tratava de algo deveras interessante: o
universo feminino.
Fiquei curioso com o assunto
(até porque a mudança do tema de trabalho para esse outro havia
transformado a minha amiga), e lhe fiz um questionamento: o que
tem de diferente no universo feminino do masculino? Ela voltou a
ficar séria e respondeu-me com uma certa rispidez (voltando a
ser a executiva que tratava antes de trabalho) com essa
pergunta: você tem útero?
Lembrei-me então de uma
anedota, aquela em que um homem encontra, de repente, uma
garrafa e, ao abrir a rolha, de lá aparece um gênio. Para
encurtar a história (problema de espaço - risos), dessa feita
ele só dá direito a um pedido. Como o cara alimentava uma
vontade muito grande de conhecer a Europa, e tinha pavor de
avião e navio, pediu ao gênio que fosse construída uma ponte
ligando os dois continentes. O gênio pegou uma calculadora e,
depois de verificar a quantidade de ferro e concreto, percebeu a
impossibilidade de realizar o desejo. Voltando-se para o
solicitante, disse: “meu amigo, esse seu pedido é impossível,
faça outro”. Então, o cara falou: “vou pedir um mais simples,
faça-me entender o universo feminino”. O gênio voltou a pegar a
mesma calculadora, e foi dizendo para o cara: “como você deseja
mesmo essa ponte? Com duas ou quatro pistas?”.
O gênio (obviamente por sua
genialidade) havia percebido não possuir a condição
indispensável para entender esse misterioso e maravilhoso
universo feminino, ele também havia nascido sem útero.
Marco Mota / Médico cardiologista / E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
Voltar
|