ESQUINA CULTURAL

Uma comovente história de amor

 

*José Medeiros

Corria o mês de dezembro, proximidade do Natal, com seus representativos símbolos religiosos e sociais. A ceia em família, presentes, músicas, velas e cartões de Natal. Entoariam a canção “Noite Feliz”, em homenagem ao Deus do amor. Dona Natália pensava em tudo que já havia preparado para a festa natalina.

Era viúva; tinha três filhos, dois dos quais já haviam conseguido concluir curso superior. O terceiro, um adolescente bonito, moderno e agitado, chegado a “piercings” e tatuagens, não seguia os moldes e orientações da família. Queria liberdade, viver a vida em toda a plenitude; ignorava limites e convenções. De uma alegria contagiante, conseguia ser querido e amado, o xodó de toda a família.

Recostada numa cadeira-do-papai, dona Natália estava imersa em seus pensamentos. De repente, teve um sobressalto, um pressentimento de que algo havia acontecido ao seu filho mais novo. Nem bem se recuperara do susto, o telefone toca. Em rápidas palavras, o policial rodoviário comunica-lhe um acidente grave ocorrido e que uma das vítimas era seu filho Ricardo. Um choque brutal com um caminhão destruíra o carro em que ele e os amigos regressavam de uma festa no interior. Transtornada, dirigiu-se ao hospital. Os médicos confirmaram um traumatismo craniano. Pouco tempo depois, ele entrou em estado comatoso. Sem dúvida, a dor que mais dói num pai ou numa mãe é aquela que vem através da carne dos filhos; e a dor dessa mãe era aguda e lancinante.

D. Natália não se conformava, queria seu filho curado. Daria a vida por isso. Lembrou-se de que era Natal; pediu a Jesus por seu filho. Ajoelhou-se e rezou com fé, quase entrando em transe. Horas depois seus joelhos reclamavam da dureza do piso do hospital.
No dia seguinte, para surpresa dos médicos, Ricardo entreabriu os olhos, sorriu para os presentes. A palavra “milagre” estava nos lábios de todos que o acompanhavam. Começou a batalha por sua recuperação.

Três anos são passados desde o acidente e, neste ano, a família vai se reunir, como no passado, numa ceia de natal. Ricardo, está feliz, depois de tantos sofrimentos. Durante semanas sua mãe dedicou-se a construir um presépio, uma manjedoura; acredita que a recuperação de seu filho foi um milagre do Deus-menino, que lhe concedeu o mais valioso presente que poderia receber.
Ao leitor, desejo um Natal de muitas alegrias!

(*) é médico e ex-Secretário de Saúde e de Educação

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