|
Com todo o respeito
Que belo espetáculo o
funeral/show do maior astro da música pop. Tudo funcionou de
forma encantadora e perfeita. O mundo parou para assistir todo o
desenrolar dos fatos. Cerca de dezoito mil pessoas ainda
tiveram, gratuitamente, o privilégio de assistir ao vivo essa
última homenagem (ainda de corpo presente) à Michael.
Entre um atendimento e outro a clientes (muitos faltaram porque
preferiram ficar em casa acompanhando pela televisão), dava uma
bisbilhotada na internet para também ir acompanhando os
acontecimentos.
De repente (talvez por falta de trabalho) fiquei imaginando se
esse acontecimento tivesse como palco o Brasil. E se Michael
Jackson tivesse deixado em seu tumultuado testamento esse desejo
de ser enterrado em nosso país?
Certamente quatro ou cinco estados disputariam esse privilégio.
Seria mais ou menos como foi para escolha dos estados
participantes da Copa do Mundo de 2014. Haveria um forte lobby
dos governadores e prefeitos, e esse assunto seria com certeza
levado para uma decisão em Brasília. Enxergo que a cidade do Rio
de Janeiro, por já ter acolhido o astro em outra oportunidade,
seria a mais forte candidata (em disputa acirrada com Salvador).
Mesmo sendo o destino final do féretro, o caixão (por problemas
políticos) poderia desfilar pelas outras capitais perdedoras, e
ainda faria uma passagem oficial por Brasília para se despedir
do Presidente (três dias, no mínimo, sem trabalho).
O funeral/show seria no Maracanãzinho. Os ingressos pagos,
comprados na própria bilheteria, com filas quilométricas e a
renda doada ao Programa Fome Zero (com direito a CPI posterior).
Na porta do Ginásio teríamos cambistas e uma porção de ingressos
falsos.
Como convidados, para prestarem suas últimas homenagens, o
Olodum e uma Ala da Mangueira.
O grande problema seria decidir se o caixão seria recoberto pela
bandeira nacional do Brasil ou pela do Flamengo (sob protesto de
toda turma corinthiana, justificando a boa fase).
A Globo e a Record disputariam o direito exclusivo de
transmissão, e caso a Record fosse a vencedora (como vem
acontecendo recentemente) aproveitaria para fazer a estréia de
Gugu Liberato nessa festa de despedida do astro.
Uma dúvida atroz: “o cemitério seria o de São João Batista ou o
do Caju?”. Pouco importa, porque o desejo de ser sepultado na
terra do “Nunca” estaria atendido.
O que não estaria assegurado ao astro seria o descanso eterno.
No dia seguinte ao seu sepultamento os jornais de todo o mundo
estampariam a notícia de violação de túmulo e o folheado a ouro
que cobria o caixão teria o mesmo destino que teve a Taça Jules
Rimet.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
Voltar
|