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Sou contra
O assunto dominante na discussão política é, sem dúvidas, a
instalação ou não da CPI do Apagão. Num primeiro instante, essa
discussão foi “apagada” pelos políticos que apóiam o governo,
num momento em que o caos aéreo parecia não ter fim (não sei se
já teve). As revistas de maior circulação no país estampavam, na
semana passada, inúmeras denuncias de uso indevido do dinheiro
público em obras realizadas pela Infraero. Pelo que li, bastavam
os fatos divulgados sobre a reforma do Aeroporto de Congonhas
para justificar uma investigação séria.
Acompanhei o vão esforço da pequena bancada oposicionista no
sentido de instalar mais uma CPI. Os indicativos de desvios de
verbas, pagamentos de obras fantasmas e favorecimento nas
licitações não bastaram para atender a essa finalidade.
Agora, num último recurso, a decisão de ter ou não uma CPI do
Apagão está entregue ao Supremo Tribunal Federal. Ao escrever
essa crônica havia indicativos de que um Parecer preliminar já
emitido teria sido favorável. Em outras palavras, a análise dos
fatos já recomendava uma investigação.
Eu, que de início, torci para que essa CPI fosse instalada e
pudesse mostrar a conexão de tudo com o já extinto mensalão,
agora estou me convencendo do contrário: o melhor mesmo é
abortar mais essa CPI e deixar como está para ver como é que
fica.
Essa minha atitude, que pode parecer de omissão, na verdade é
mesmo de descrédito com qualquer tipo de apuração de
irregularidades feitas nessa esfera de Poder. Vai ser outra
série de falação, acusações de um lado para o outro, pessoas
cínicas dizendo mentiras, e muitas, já conhecidas, indo depor já
com garantia jurídica de não ser presa caso não deseje responder
sobre seus ilícitos, e mesmo se quiser permanecer calada.
Assim, justifico a minha posição do “sou contra” à instalação de
mais uma CPI, para qualquer coisa, antes de ver pelo menos um
dado positivo sinalizando que as outras valeram a pena. Sou
contra porque não acredito.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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