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Realizando um sonho
Um sonho bem alimentado
será sempre um sonho realizado. Há mais de doze anos que
trabalho (quase no anonimato, por conta da confidencialidade)
com pesquisas clínicas. Essa atividade, que envolve hoje uma
enorme equipe, vem acontecendo na minha clínica (CLINICOR),
recentemente expandida ao Hospital do Coração. Mais de trinta
Projetos foram desenvolvidos, e muitos dos medicamentos hoje
disponíveis para uso no tratamento da hipertensão (foco
principal) e de outras doenças do coração nasceram dessa
iniciativa. Tenho o orgulho de dizer que nosso Centro hoje é uma
referência nessa atividade em todo o Brasil, e mesmo no
exterior, porque numa recente pesquisa realizada com um
medicamento Fase III alcançamos a segunda colocação em
desempenho no mundo.
No entanto, o meu sonho sempre foi desenvolver essa atividade no
âmbito de minha Universidade (UNCISAL). Depois de várias
tentativas, finalmente contei com o apoio e a compreensão do
Reitor André Falcão, que nos convidou para montar um Centro de
Pesquisas dentro da nossa Instituição.
O Núcleo ainda não está definitivamente constituído. Posso até
dizer que é um Núcleo virtual, mas já está envolvido no maior e
mais ousado Protocolo Multicêntrico Nacional denominado Estudo
PREVER.
Um conjunto de vinte e quatro universidades brasileiras,
comandadas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e
tendo à frente desta iniciativa um renomado pesquisador e
cardiologista Flávio Fuchs, vai executar esse belo Projeto que
poderá dar respostas a questões de valores inestimáveis para a
saúde pública brasileira.
Esse Projeto tem dois Estudos fundamentais que poderão
responder: se tratarmos os pacientes considerados
pré-hipertensos com um medicamento barato (diurético) podemos
evitar que essa numerosa população evolua em curto tempo para se
tornar hipertensa (evolução já devidamente documentada em
estudos prévios); também, se tratarmos pacientes já portadores
de hipertensão estágio 1 com diurético, em comparação a uma
classe de medicamentos de custo elevado e ainda não disponível
na rede SUS, obteremos semelhante resultado em termos de
benefícios clínicos.
Por isso, estou duplamente feliz. Primeiro, em não sendo ainda
um Núcleo devidamente constituído (espaço físico e suportes
administrativos) já estamos envolvidos neste tão grandioso
Projeto. Depois, estou realizando esse sonho de no final de
minha careira de professor estar deixando, para a Instituição
que aprendi a amar verdadeiramente, uma contribuição que, no
mínimo, a coloca junto das maiores universidades brasileiras.
A realização de um sonho pode até demorar, e isso ajuda a dar
mais vigor as nossas aspirações, mas o que nos ensina mesmo é
que definitivamente “nada resiste ao trabalho”.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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