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Solidariedade Machista Lembro-me de uma viagem que fiz a Recife para visitar os padrinhos de minha filha mais velha há muitos anos atrás. Embora sem ser muito chegado a participar de "noitadas", sempre que os visitava era convidado a acompanhá-los nos "embalos" das noites recifenses. O local preferido era um restaurante que, além da boa comida, oferecia aos assíduos freqüentadores das noites de sexta feiras, o que na época se chamava de jantar dançante. Algumas vezes para escapar ao sempre carinhoso convite deixava, de propósito, os sapatos em casa. Confesso que ia muito mais para atender aos desejos de Inês, do que a minha própria vontade. Aliás, essa foi uma das poucas vantagens de ter estragado os meus joelhos, agora sou poupado desse tipo de atividade não muito apreciada. Esse tipo de local para favorecer o romantismo sempre funcionava a meia luz e, por isso, não dava para enxergar bem os detalhes.
Numa dessas noites que para lá nos dirigimos, logo ao chegar demos de cara com um "velho amigo", que se esbaldava a dançar de rostinho colado com uma mulher, que sabíamos não ser a sua. Notei logo de saída o imbróglio e comentei, pensando comigo mesmo: puxa, que azar de meu amigo, com tanto local mais discreto em Recife foi escolher logo esse para vir namorar escondido!
Durante bom tempo consegui despistar, fazendo com que a minha mulher olhasse para outro local e, como estava de fato escuro, ainda cheguei a imaginar que o "meu amigo" poderia se safar, desde que me visse e fosse embora dançar em outras plagas. De repente, escuto a famosa pergunta carregada de indignação: Marco, aquele não é fulano, que está dançando com aquela loura? Fiz-me de surpreso, mas prontamente respondi: não Inês, já tinha até pensado o mesmo que você. É bastante parecido, mas não é ele, parece até irmão gêmeo, mas é pura coincidência. A essa altura, a minha comadre que voltava do salão também estava chocada com a descoberta, mas o meu compadre, mesmo sem combinar comigo, já havia dito para ela a mesma coisa que eu dissera a Inês (solidariedade masculina). Aí, o "meu amigo" já começou a perceber o cochicho em nossa mesa, e procurou dançar cada vez mais longe de nosso alcance, mais agarradinho e de rosto colado, quando a identificação fica cada vez mais problemática.
O resto da noite foi àquela teimosia: é ele tenho certeza. E nós: nunca, vocês estão equivocadas, parece muito mais não é. Apenas ao chegar em casa antes de dormir foi que eu e meu compadre pudemos conversar um pouco e reconhecer: que azar danado do cara, ainda bem que ele encontrou dois amigos de verdade - risos.
Contam que um determinado dia uma mulher chegou pela manhã em casa e, quando o marido perguntou onde havia passado a noite, ela respondeu que havia dormido na casa de sua melhor amiga. O marido desconfiado ligou para quem ele acreditava ser as dez melhores amigas dela, e todas negaram o fato. Outro dia, foi o marido quem chegou em casa pela manhã, e a mulher mais que desconfiada perguntou onde havia dormido (se é que dormiu). Ele (de banho tomado e de cara feliz), respondeu que dormira na casa do melhor amigo. A ciumenta mulher pegou o telefone, e ligou para quem ela acreditava ser os dez melhores amigos (dele). Um deles confirmou o fato, e os outros nove, além de confirmarem que ele havia dormido, ainda foram além quando disseram que ele ainda estava lá.
Moral da história: Dez, entre dez amigas, não acobertam a traição nem que seja da melhor amiga. Um entre dez homens mente, os outros nove, além de mentirosos, são cínicos.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
e-mail:mota-gomes@uol.com.br
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