ESQUINA CULTURAL

Uma sociedade de corações

“A cardiologia alagoana sempre esteve unida e nunca houve necessidade de uma disputa para definir o processo sucessório”

Recentemente descobri que tenho mais tempo de formado que a Sociedade Brasileira de Cardiologia (Regional de Alagoas), de existência. Diante dessa descoberta, fiz um esforço para rever um pouco de sua história, já que dela fiz parte ativa desde o início da sua construção. Pode até ser que o meu “viajar” para o passado não seja tão fiel aos seus 25 anos de vida, mas a memória levou-me rapidamente ao Prontocor, naquela época funcionando em frente ao Colégio Batista Alagoano.
 
Lembrei-me disso porque ali foi gerada a nossa SBC/AL. O Prontocor era um serviço de urgência, fruto de uma sociedade de médicos clínicos constituintes da fina nata da cardiologia alagoana. Além dos sócios proprietários, que faziam parte desse time, a eles se juntaram outros cardiologistas clínicos que estavam iniciando a vida profissional. Desse grupo fiz parte com muito orgulho, e lá pude desenvolver minhas atividades como membro de uma equipe de plantonistas, depois valorizada com a chegada de Pedro Albuquerque.

A idéia da criação de nossa Regional, penso que foi construída durante as reuniões científicas que ali ocorriam, já reforçadas pela presença de um grupo de cardiologistas (alguns vindo de outros estados, com Gilvan, Daniel e De Biase) que trabalhava na Santa Casa de Misericórdia sob a tutela de José Wanderley, seu primeiro presidente.
 
Sem muito esforço de memória, seguindo esse meu viajar ao passado, posso citar o fato mais relevante que ajudou a construir uma bela e profícua história de 25 anos. A cardiologia alagoana sempre esteve unida e nunca houve necessidade de uma disputa para definir o processo sucessório. Em reuniões de consenso ficava decidido (pelo grupo mais velho – risos) qual o colega que naquele momento teria maior disponibilidade para servir ao coletivo por dois anos, e as eleições sempre foram de candidato único. Isso permitiu que os projetos de gestões anteriores tivessem continuidade, como prova de articulação de uma gestão com a outra, e não como simples continuísmo que não contribui com a modernidade administrativa.
 
Caso me fosse solicitado destacar alguns colegas que fizeram – e que ainda fazem – parte dessa história, enaltecendo-a, eu lembraria sem muita dificuldade do exemplo de profundo estudioso vislumbrado no professor Cláudio Albuquerque (a sua obstinação pelo conhecimento era contagiante), do espírito inovador e ousado de Flávio Loureiro (a quem assisti colocar o primeiro marca-passo, numa urgência por bloqueio átrio ventricular), da inteligência cautelosa e competente de Sadi Carvalho Filho (que me ensinou a ser médico e a auscultar um coração), e do meu contemporâneo José Wanderley, que iniciou em Alagoas a era da cirurgia cardíaca.

No ano de seu jubileu, coube a Maria Alayde, competente cardiologista dessa nova geração, o privilégio de comandar um festejo que acelera os corações dos cardiologistas alagoanos.

Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br

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