ESQUINA CULTURAL

Convivendo com sintomas (6)

Um sintoma bastante comum que leva muitas pessoas a uma consulta médica com o especialista é o cansaço. Geralmente associado a problemas de coração, embora nem sempre seja o coração o órgão responsável por ele.
 
O primeiro desafio do médico é distinguir o tipo de cansaço, definindo exatamente o motivo do sofrimento do paciente. O cansaço nem sempre é expressão de falta de ar (que acompanha os principais problemas cardíacos). Muitas vezes o próprio paciente confunde fadiga com cansaço, que não representa a mesma coisa.

O cansaço “fadiga” significa mais uma sensação de desânimo e astenia (fadiga muscular). Pode acompanhar casos de depressão e mesmo denotar situações de estresse motivadas por excesso de trabalho físico ou intelectual (representando o momento exato em que o corpo pede férias). Costumo perguntar ao meu paciente que chega com esse tipo de reclamação, qual a última vez em que esteve em férias. Devemos ficar atentos, pois uma programação de férias exaustiva pode até agravar essa sintomatologia, muitas vezes só atenuada quando férias repousante é devidamente programada.

O cansaço tendo como origem uma disfunção do próprio coração também é uma possibilidade concreta. Quase sempre denota uma falência importante deste órgão, e sua evolução para quadros mais graves pode ser muito rápida. Denota perda da função de bomba do coração, que pode ser interpretada como dificuldade de bombear devidamente a quantidade de sangue necessária ao funcionamento do organismo como um todo, ou mesmo por dificuldade de enchimento de suas cavidades com imediata repercussão aos dois pulmões (daí vem o cansaço – falta de ar).

Em pessoas jovens está muito ligado às doenças das válvulas cardíacas, especialmente aórtica e mitral. Também em nosso meio devemos pensar na possibilidade de acometimento das fibras cardíacas pela Doença de Chagas ou mesmo as denominadas doenças do músculo cardíaco de etiologia indeterminada.

Nos adultos e idosos aparecem outras doenças como hipertensão arterial e doença dos vasos coronarianos como causas determinantes de falta de ar.

Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br

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