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Flores ao já morto Salgadinho
Ontem estava indo almoçar e fiz um trajeto diferente para cortar
caminho, e chegar mais rapidamente a orla. Ao realizar esse
desvio, acabei passando pelo trajeto do riacho Salgadinho. Que
sujeira horrível, e que odor insuportável! Para quem desce do
Farol (especialmente os turistas que chegam do aeroporto) esse
caminho é quase o preferido, e esse “olhar” negativo da cidade
vira cartão postal. Caso seja um dia de chuva a coisa ainda fica
pior, porque a visão da sujeira se estende até a praia.
Enquanto esperava o sinal abrir, pude constatar os bueiros
abertos alimentando a podridão. Lembrei-me que, na tentativa de
salvar o Salgadinho (tempos atrás), já foram realizadas várias
campanhas, e também utilizado muito dinheiro público. Em gestões
anteriores até foi tema de campanha. Quem não se lembra do banho
da (à época) Prefeita Kátia Born, na praia da Avenida da Paz, no
desaguar do Riacho. O assunto foi motivo de muita polêmica, e o
banho foi uma tentativa de provar que a despoluição daquele
Riacho estava concluída.
Não entendo dessas coisas, e nem sei se ainda há algo a fazer
com o Salgadinho. Na minha visão de leigo nessa matéria, penso
que é uma coisa sem jeito e não adianta nenhuma tentativa para
salva-lo.
No entanto, penso que podemos melhorar esse cartão de visitas,
no seu trajeto do Viaduto Ib Gato até Praia da Avenida. Já vi em
outras cidades que visitei soluções para esse tipo de problema,
que pelo menos dá um colorido “ecológico” visual.
A idéia que passo para o Prefeito é realizar a cobertura com um
aramado (em arco), e plantar nas duas margens trepadeiras que
possam (ocupando o aramado) dar um colorido externo àquela
sujeira visual. Penso que com pouco dinheiro podemos dar uma
meia solução para esse problema.
Já observei isso no Rio de Janeiro, e mais recentemente na Ilha
da Madeira. Não estou oferecendo nenhuma idéia original, mas é
uma estratégia já testada e que funciona. Deixa o riacho já
morto ainda respirando, e seu odor pode até melhorar ao se
misturar com o aroma das flores nascidas das trepadeiras.
A grande vantagem é que o Prefeito que assumir essa simples
idéia, não precisa se comprometer em se banhar na poluída praia
da Avenida. Também não investira recursos consideráveis, numa
tentativa vã de se dar vida a quem morto está, faz tempo.
Far-se-á como num funeral, ofereçamos flores ao já bem morto
Salgadinho.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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