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O risco que se corre
Estamos cansados de saber que os acontecimentos políticos e os
que movimentam a economia no nosso continente deflagram, quase
sempre, uma reação em cadeia (efeito dominó). Podem começar em
qualquer país e logo repercutem de forma avassaladora sobre os
outros. Apesar de ser o Brasil o único país com um idioma
diferente, isto não o coloca numa situação neutra diante dos
impactos causados pelas novas ordenações políticas ou crises
econômicas. Reagimos de forma muito uniforme com os outros
países latinos.
Costumamos até dizer que se um fenômeno qualquer ocorreu na
Argentina logo estará no Brasil.
A grande novidade que já chegou na Argentina foi o lançamento da
esposa de Néstor Kirchner, a simpática Cristina Kirchner, à
Presidência da República. Essa é, sem dúvida, uma forma
inteligente que o atual Presidente escolheu para continuar
mandando no país e depois voltar para mais um período.
Esta semana, a candidata visitou o Brasil sendo recebida pelo
Presidente Lula que, prontamente, manifestou apoio as suas
pretensões. Em seguida, li uma notinha do Presidente Lula
dizendo que ainda não tem candidato, que não se manterá neutro
no processo a sua sucessão e afirmando ainda que em 2010 se
afastará da Presidência para entrar com gosto na campanha de seu
sucessor.
Imaginando que tudo que acontece na Argentina logo chega ao
Brasil, e se o Presidente Lula resolver lançar para 2010 a
candidatura de Dona Marisa Letícia? Já sabemos que o seu sonho é
ter uma candidatura feminina e que também, nesta semana, na
passagem da Senhora Nestor Kirchner pelo Brasil ela foi
carinhosa e intimamente tratada pela nossa Primeira Dama como
Cris. Depois, a outra mulher com chance de sair candidata, a
Ministra Dilma Rousseff, afirmou (também nesta semana que
passou) em longa entrevista a um dos matutinos de circulação
nacional que não era candidata. Deixando assim o caminho
totalmente aberto para outra mulher.
Até imagino que pode ser uma alternância interessante, depois de
um Presidente surdo (e parece que também cego) uma candidata
definitivamente muda.
Caso essa possibilidade seja consumada, eu já posso oferecer até
um slogan de peso para alimentar a campanha de nossa Primeira
Dama à Presidência do Brasil: Depois de um Presidente cego e
surdo (sem nenhuma conotação preconceituosa aos verdadeiros
deficientes visuais e auditivos), enfim uma candidata para
“mudar” o Brasil.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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