ESQUINA CULTURAL

Ressaca

Nada melhor do que nesta quinta-feira “de cinzas” tratarmos de um tema que contenha esse nome. O Carnaval que terminou nessa última terça-feira em muitos locais (menos na Bahia – risos) trouxe como conseqüência para muitos essa sensação de cansaço e nostalgia (às vezes acompanhada de uma “leve dor de cabeça”) denominada de ressaca.

A minha ressaca começou desde a semana passada com a divulgação das últimas pesquisas revelando uma recuperação no prestígio do Presidente Lula, denotando o crescimento da confiança do povo brasileiro em seu governo.

A primeira vista pode até parecer ser dor de cotovelo porque sou adepto de outra candidatura, e isso não é verdade. Desde que os brasileiros tomaram conhecimento da roubalheira feita nos cofres da Nação, por uma quadrilha organizada em torno do Grupo do Poder, que reflito sobre sucessão e sinto dificuldade em definir minha opção por outra candidatura. Apenas penso que o Governo que aí está deu provas incontestes de fragilidade moral (ou de incompetência, como muitos pensam ter acontecido – prefiro ficar com o primeiro pensamento) e, por isso, não merece o julgamento favorável da opinião pública brasileira. Fico com a sensação de que, ou de fato temos memória curta ou a informação não chega a todos.

Para falar a verdade, a minha ressaca começou desde a semana passada quando estava lendo sobre a festa de aniversário que o Partido dos Trabalhadores promoveu em Brasília para comemorar “a volta por cima”. Pela descrição da Revista, muitos dos que estão sendo acusados e com os seus mandatos ainda colocados sobre suspeição (agora devem ser absolvidos) desfilavam alegremente como se nada tivesse acontecido.

O que mais provocou a minha revolta foi que o convidado mais ilustre (ansiosamente esperado), o próprio Presidente, ao chegar ensaiou um discurso inflamado e soltou essa pérola de improviso: “errar é humano”.

Presidente, errar é de fato uma condição humana, e devemos cultivar essa máxima cristã perdoando os pecadores (mas, abominando o pecado). O equívoco, senhor Presidente, é que o acontecido não se tratou de erro, mas de roubo, e pelo que aprendi com meus pais roubar é desumano. Dar “a volta por cima” seria prestar contas dos bilhões de reais “passados por baixo” do pano.


 

Marco Mota / Médico cardiologista / E-mail: mota-gomes@uol.com.br

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