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Uma mulher na reitoria
O resultado de uma
aguerrida eleição, cujo desfecho (independente de quem ganhasse)
conduziria uma mulher para ser a nova reitora da UNCISAL, foi
conhecido. A comunidade, nos seus três segmentos, optou pela
Rozangela.
Na eleição passada, que escolheu o primeiro reitor da UNCISAL,
escrevi nesta coluna uma prosa intitulada: olhando os dois
lados. Nela, comentei sobre as qualidades dos dois postulantes,
e defini a minha opção pelo que perderia a eleição. Este ano,
fui procurado pelas duas candidatas, mas preferi olhar os dois
lados sem nenhuma manifestação. Não que desejasse ficar em cima
do muro (e não fiquei), mas porque antes de definir o meu voto,
tive mesmo foi admiração pelo espírito de luta de ambas as
candidatas. Quem se oferece para o sacrifício de postular um
cargo dessa envergadura, merece aplausos. Assim, aplaudo a
ganhadora com a mesma força, que também aplaudo a “perdedora”
(se é que houve).
Na última eleição tivemos um resultado muito apertado, que
significou durante um bom tempo uma Universidade dividida ao
meio (perdedores e vencedores), e isso não foi bom.
Lembro-me quando fui candidato a Diretor da Escola de Ciências
Médicas (hoje Faculdade de Medicina da UNCISAL), e minha
concorrente foi a professora Cristina Câmara. Como em toda
eleição o clima foi bastante quente. Concluída a eleição, que
apontou uma vitória minha com mais de 80% dos votos, tomei a
seguinte iniciativa: fui procurar a professora Cristina em seu
gabinete de trabalho, e lhe fiz um convite para assumir a
direção do antigo Hospital Escola Dr.José Carneiro. Nesse
encontro, eu lhe disse que não podia abrir mão de uma pessoa com
tantas idéias, e que finda a eleição o que restava era uma
tarefa de construção que não dava para dispensar ninguém. Ela
até brincou comigo dizendo: “Marco, eu acho que você está
louco”. Dentro do organograma da Instituição, aquela função para
a qual eu estava convidando a minha (ontem) concorrente, ocupava
o mesmo nível.
Minha querida amiga Rozangela, o desafio que você vai enfrentar
é enorme. A nossa Universidade (por ser ainda muito jovem) foi
mal avaliada pelo MEC. Você, que tanto se esforçou para entender
os critérios dessa última avaliação, terá agora o poder de
mando. Sei que você tem chance de formar uma bela e harmoniosa
equipe. Sei que você tem um claro projeto de desenvolvimento
institucional, avaliado e aceito pela comunidade, e referendado
pelo expressivo resultado das urnas. Sei também que a vida já
lhe ensinou claramente o que tem, e o que não tem valor. Mas,
receba um singelo conselho deste velho professor: não exclua
ninguém de valor de sua equipe futura, mesmo aqueles que olharam
circunstancialmente os dois lados, e momentaneamente se
posicionaram do outro lado.
O trabalho que você terá pela frente nesses próximos quatro anos
é maior do que a quantidade de aliados que você teve durante a
campanha. Campanha é momento de discutir idéias (muitas vezes
antagônicas). Depois da posse será momento de descobrir no
antagonismo das idéias, os laços de confluência para uma rica e
sólida construção.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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