ESQUINA CULTURAL
RECONHECIMENTO CIENTÍFICO

 José Medeiros*             

Uma de minhas curiosidades ao iniciar o curso de medicina era a de saber o significado dessa palavra. De onde veio? Quando foi usada pela primeira vez? Em pouco tempo encontrei a explicação. O vocábulo vem do grego “medonai”, que significa prestar ajuda, socorro ou auxílio a alguém. Hipócrates – considerado o pai da medicina – talvez tenha sido um dos primeiros a empregar essa palavra que, possivelmente, remonta a uma época mais distante, quando alguém se queixou de dor e seu vizinho tentou atenuá-la.

            São lembranças que me ocorreram durante a solenidade de posse dos novos sócios da Academia Alagoana de Medicina realizada em clima de festa e presidida pelo médico Antonio de Pádua Cavalcante. Os empossados são expoentes em várias áreas do desempenho da profissão médica. Os acadêmicos Ronald Cabral de Mendonça, Ana Dayse Rezende Dórea, Allan Teixeira Barbosa e Domingos Correa da Rocha, tem dado, cada um deles, em suas especialidades, ponderável contribuição à medicina alagoana. Ronald Mendonça e Ana Dayse Dórea participam, também, da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames/AL), e, no recinto da solenidade, encontravam-se vários de seus companheiros das atividades culturais dessa entidade. Nessa noite, tão repleta de emoções agradáveis, nem me dei conta das horas decorridas, envolvido na atenção aos discursos proferidos. Os novos acadêmicos foram saudados pelo pediatra Milton Hênio Neto de Gouveia, um dos idealizadores dessa Academia, com uma página literária em que predominou a linguagem da sensibilidade e da estética criadora.

            As academias (de letras, de ciências, de artes e de cultura) seguem a tradição francesa que estabeleceu em quarenta, o número dos que compõem o seu quadro efetivo. A característica do acadêmico é ser vitalício e perpétuo. Ali, permanece enquanto viver. Na medicina alagoana há cerca de três mil médicos em atividade e outros tantos aposentados ou jubilados. Devido a esse limite numérico, são poucos os que conseguem alcançar a “imortalidade” acadêmica. Com um colega que me informou ser candidato a uma das próximas vagas da Academia de Medicina, brinquei, dizendo: ah!, meu amigo, você vai esperar muito por essa vaga; os acadêmicos estão todos (aparentemente) saudáveis e bem dispostos. Rimos os dois, porque ninguém melhor que nós, os médicos, sabemos da fragilidade do ser humano e das limitações inexoráveis da existência.

            Opinião de um ilustre mestre: “A Medicina não é apenas a arte de curar, mas também, a arte de pensar. Trilha, inicialmente, caminhos de dúvidas e de hipóteses para chegar ao porto seguro de certezas científicas. Vive um processo contínuo de atualização, descobertas, pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias”. Entretanto, quanto mais progride a ciência, mais surgem questões desafiadoras no campo da ética médica, que exigem novos posicionamentos e definições.

            Em sendo assim, as academias de medicina tornam-se fóruns privilegiados para essas discussões e estudos.

(*) é médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde

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