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Quando mais é menos
Esse título, “roubei” de um amigo com quem conversei
recentemente sobre essa avassaladora onda de impostos novos.
Começo de ano sempre tem novidades a respeito de impostos e
taxas (significam a mesma coisa, porém com nomes diferentes para
enganar aos tolos, como eu). Vão chegando pelos Correios, um a
um, e todos com os devidos reajustes, sempre acima da inflação.
Cabe-nos apenas fazer a “ginástica” para saber onde vamos cortar
para pagá-los.
A cada ano tenho assimilado
esse tipo de extorsão com mais indignação. O danado é que tudo
quanto é imposto (gosto apenas do nome porque representa bem o
que ele é: imposto, derivado de imposição) novo é criado
justamente pelas pessoas que escolhemos pelo voto para nos
representar nas diversas câmaras políticas existentes num
sistema “democrático”. Fazer o quê cidadão? Reclamar para quem
cidadão, se nós mesmos somos os responsáveis pelas escolhas?
Vamos nos preparar para um
reajuste de 43,4% na taxa de amparo às vítimas de trânsito, e
(ainda nem sei ao certo o nome e o valor) para uma Taxa Para
Controle da Emissão de Gases Poluentes – TPCEGP. Perdoem-me os
leitores, mas em breve vão querer taxar o “peido” - risos.
Procurei saber para onde vão os impostos pagos quando vamos
renovar o emplacamento de nosso automóvel e descobri que parte
deles se destina à conservação das rodovias (e é muito
dinheiro). Como os buracos só são tapados em anos de eleições, e
como a má conservação das estradas é uma das maiores
responsáveis pelos acidentes, qual foi a matemática razoável
para enfrentar o problema? Aumentar a taxa de amparo às vítimas,
porque nós (imbecis) pagamos para conservar, mas como o dinheiro
é jogado fora, devemos também pagar pelas vítimas do descaso. E
ainda mais, logo logo, teremos que pagar às firmas de
verificação de emissão de gases pelas vistorias.
Cansei! Essa coisa está ficando
insuportável. Necessito criar uma contra-ofensiva contra esses
abusos. Sozinho, tenho pouca chance, mas, se constituirmos um
grupo, nem que seja de dois, podemos criar um Bloco (nesse tempo
de Carnaval) e colocá-lo na rua. Nunca sem antes saber se para
isso tem alguma taxa nova.
Obs. Explicando a matemática do
título: quanto mais imposto, menos cidadania.
Marco Mota / Médico cardiologista / E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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