ESQUINA CULTURAL
O Presidente está nu

Gostaria de continuar falando de “flores”, como costumo fazer todas às quintas-feiras, mas nessa não dá. Desde a semana passada que ouvimos falar que alguém está nu. O título foi sugerido numa entrevista dada à Revista Veja por um filósofo francês que afirmou “Deus está nu”; e logo depois foi muito bem rebatida neste mesmo Jornal por outro articulista, quando afirmou que: “nu mesmo estava o filósofo”. Ontem, depois de assistir aos noticiários e percorrer as informações geradas pela Internet, fiquei convencido de que quem está mesmo nu neste país é o Presidente Lula.

Aliás, tenho certeza de que ele começou a tirar a roupa desde o episódio mais escandaloso acontecido nesses últimos tempos, e que foi abafado de uma forma tão violenta, que hoje nem ouvimos mais falar nesse cidadão ocupante da sala contígua a do Presidente, chamado Valdomiro. Bastava, naquela época, se puxar a ponta do novelo que a roupa do Presidente já iria se desfazendo, dispensando a ajuda da banda podre do Poder para completar o desnudamento. A roubalheira no Brasil, que para muitos (não para mim) poderia ser minorada com a ascensão ao Poder do Partido dos Trabalhadores, continuou, e de forma deslavada, a ponto do Deputado, considerado bomba relógio, afirmar que o governo trata os partidos aliados como uma verdadeira amante, enchendo-a de jóias caras e de todos os tipos de regalias, mas sem coragem de levá-la para jantar no restaurante Piantella, ou mesmo permitir que ela viaje no super avião do Presidente. A máxima que predominou nesse escândalo recente foi: essa gente ruim a gente compra e submete, não necessita ter com eles nenhuma aliança. Parece que muitos aceitaram essa situação, e como prêmio receberam o “mensalão” para coonestar com os projetos de interesse do governo.

Gostaria muito de acreditar que esses sucessivos escândalos servissem como um contributo à democracia de meu país, mas o que vejo é o descrédito tomar conta das pessoas. A sensação que conseguimos deslumbrar é de desânimo, até mesmo para comentar a força do episódio de corrupção mais recente. Vivemos, na verdade, esperando o próximo.

É velha a comparação do atual governo com a imagem de uma tartaruga trepada numa árvore. A primeira indagação de quem a enxerga é saber como ela chegou lá. Depois vem a segunda indagação, que é o que ela está fazendo para continuar lá, e a vontade que nos assalta, em seguida, é a de ver o que pode ser feito para ajudá-la a descer. O meu irmão Murilo, na sua sábia filosofia, lembrou-me o ditado popular que diz: “tartaruga em árvore ou é enchente ou mão de gente”. O episódio recente pelo menos serve para dar algumas pistas que ajudam a refletir sobre a situação da tartaruga: ela não subiu por conta de enchente, foi mesmo por mão de gente; e para continuar lá em cima por tanto tempo inventou o “mensalão” que, descoberto agora, poderá levá-la para o chão. E aí não adianta chorar, porque se a imagem de um presidente nu já é chocante, chorando passa a ser deprimente.


Marco Mota
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br

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