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Personalidades
Esse final e começo de ano, cheios de feriados, têm
possibilitado muito ócio. Acho que fazia um bom tempo que não me
sentia tão inútil. Aproveitei um pouco para recuperar algumas
leituras que havia acumulado e também pude ficar algumas horas
diante da televisão procurando algo interessante para ocupar o
meu tempo.
Nessa viagem de canal para canal de vez em quando (sempre que
não havia ninguém discursando) parava na TV Assembléia. Os
programas de entrevistas e de cultura são bem interessantes e
fazem um resgate bem oportuno de muitos eventos artísticos que
continuam acontecendo em nossa cidade e que muitas vezes passam
despercebidos.
No último domingo pude assistir uma bela entrevista com meu
colega de profissão, o médico e espírita Ricardo Santos, que
utilizando a sua sabedoria e equilíbrio transmitiu conhecimentos
sobre a sua assumida condição religiosa, e, por conhecê-lo de
perto, sei que é uma pessoa onde Fé e Vida estão bem
articuladas.
Em seguida, fiz um “mergulho” em minha infância assistindo o
Elinaldo discorrer sobre a história do cinema em nossa terra. Ao
falar em Carlos Brandão citou o nome de Gildo, seu irmão, que é
professor da USP de São Paulo (meu companheiro de jogo de botões
quando morávamos na Levada). Desde aquela época Elinaldo já era
autoridade em cinema e discorreu sobre o tema com uma
simplicidade e competência que, ao terminar o programa, fiquei
com uma sensação de “querer mais”.
Por último, no programa que entrevista personalidades, eis que
aparece a segunda mulher convidada pela produção. Nada menos que
a minha querida amiga Floracy Cavalcante, a própria história
viva do rádio alagoano. Foi uma bela e comovente entrevista.
Bela, porque uniu a voz e o visual da dama do rádio alagoano.
Respostas equilibradas revelando o seu lado carismático e humano
com muitas pérolas de sabedoria que, se escutadas com o coração,
podem servir como normas de bem viver e de comportamento
comunitário. Comovente, porque no momento em que o meu outro
amigo entrevistador perguntou-lhe como estava levando a vida ela
respondeu-lhe, sorrindo, que mesmo aposentada (mas sem desejar
assim se sentir) estava fazendo um programa semanal pela
Televisão, aos sábados, e nos outros dias acordava no local que
agora escolheu para viver (a Barra Nova), quando aproveitava
para escutar o canto dos pássaros.
Tudo bem, minha amiga, é até justa esta sua opção de passar os
dias da semana aproveitando a vida num local agradável em
companhia de sua família, mas isso é muito injusto para um
público numeroso que não tem a chance de escutar o canto dos
pássaros e que tinha o costume de acordar, todas as manhãs, para
escutar a voz do pássaro mais sonoro e elegante do Rádio
alagoano. Pássaros não se aposentam, um dia se calam.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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