ESQUINA CULTURAL
POBRE PAÍS DE PERDEDORES

Não tive pena das jogadoras de vôlei que perderam para as russas.
(No jogo de hoje, 26/08/2004, semifinal das olimpíadas, onde as brasileiras eram favoritas e já se previa que disputariam o ouro com a equipe da China)
Assisti ao jogo e tive a clara impressão de que elas se surpreenderam com a reação das adversárias. A surpresa veio da simples constatação de que as russas estavam lutando contra um destino selado, ou seja, se não tinham a técnica e o talento das brasileiras, como é que as russas não queriam perder? Por que insistiam em lutar, em querer ganhar?
Após o jogo, os repórteres desmancharam-se em elogios às jogadoras brasileiras, dizendo que eram valentes, guerreiras, heróicas, de terem chegado ali. Que não chorassem, que aguardassem pacientemente as olimpíadas de 2008 (onde provavelmente perderão outra vez).
Não vi qualquer valentia das jogadoras brasileiras. Pelo contrário. Assustaram-se com a reação desesperada das acuadas jogadoras russas, acossadas, xingadas pelo seu técnico.
Elas sim, foram valentes e heróicas, porque mudaram uma situação pré-definida, desfavorável. Venceram apesar da pior técnica, do talento inferior.
Tal fato repetiu-se em várias situações nesta olimpíada.
Como no caso do velejador que podendo chegar em 16° para ficar com uma medalha e era franco favorito ao ouro, chegou em 17° e último lugar, e nenhuma medalha ganhou. Entrevistado disse:- Eu acho que fui bem, velejei bem, mas não deu. - E os repórteres novamente concordaram, coitado, fez o que pode. Nas outras etapas sempre chegou na frente, mas na hora de decidir, velejou bem, fez o que pode e chegou em último lugar. Deve ter paciência e esperar 2008, ano das novas olimpíadas.
Não tenho pena dos que perderam nos jogos olímpicos. Alguns perderam porque tinham pior técnica, outros porque não treinaram o suficiente, outros porque apesar de melhor técnica e mais talento, perderam porque são perdedores. Pertencem a esse grupo. O dos perdedores. E gostam disso. Choram sempre, consolados por multidões de pessoas compreensivas e repórteres complacentes.
Fazem parte desse povo brasileiro, oportunista, medroso, paternalista, Que tem pena do assassino, do perdedor, do preguiçoso, do enganador.
O povo brasileiro que tem pena do operário despreparado, ignorante e oportunista, que nunca sonhou governar um país, e lhe deu, com milhões de votos, essa tarefa, como se fosse uma brincadeira. 
Não tenho pena dos que perderam nas olimpíadas. E fiquei, após estes jogos, com um pouco mais de vergonha de ser brasileiro.

José Almir Adena 
Fone/fax : 65-624 1188
Av Isaac Póvoas, 516
78005-340 Cuiabá-MT
Cuiabá, 26/08/04

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