Aproveitei o feriado longo para aprofundar a
convivência em família. O destino desta feita foi a Barra de
São Miguel. Havia uma comemoração já esperada desde o
carnaval, quando ficamos de inaugurar um apartamento que
construímos dentro de um pequeno condomínio. Não tivemos
dificuldade de trazer os filhos (ou quase todos) uma vez que
esse é o tipo de local que agrada as diversas idades (até aos
amigos de nossos filhos, que foram chegando um a um).
Ganhei dois belos presentes, melhores que
qualquer ovo de páscoa diet. No sábado, recebi o primeiro
quando vi chegar (de surpresa) a minha filha Alana, que há
quatro anos não celebra a páscoa junto à sua família. Tive
nesse final de semana a família quase completa, faltando apenas
a Annelise, que estando distante (Vargem Grande – SP) apenas
pôde se comunicar por telefone.
No domingo de páscoa recebi o segundo
presente. Pela manhã, por uma idéia surgida entre os moradores
de nosso pequeno condomínio, decidiu-se fazer um café da
manhã coletivo para comemorar a data. De repente, foram
chegando outros amigos que moram perto, cada um trazendo outros
convidados e, também, um pratinho de comida para pôr em comum,
reforçando e dando qualidade ao cardápio. O local reservado ao
café foi ficando repleto de pessoas e um clima muito fraterno
estabeleceu-se.
Foi organizada uma celebração litúrgica e
muitas pessoas foram escolhidas para a leitura de um texto, que
refletia, muito mais que a paixão de Jesus, a Sua vida entre
nós. A leitura falava de um Jesus que depois da morte
ressuscitou e continuou presente em todos os momentos da vida do
ser humano, caminhando com a humanidade pela qual aceitou a
morte na cruz e, especialmente, quando estivéssemos reunidos em
nome Dele. O texto falava, de uma forma bem conclusiva, que Ele
nunca faltava, sempre se fazia presente e que precisávamos
estar de olhos bem abertos para percebermos a Sua presença.
Nesse momento, levantei a vista para além do
muro, que separa a entrada do condomínio da rua e avistei a
figura de um Jesus abandonado no rosto triste de um menor de
rua, que certamente atraído pelo café que já estava servido,
e cheio de iguarias, parou para sentir se tinha chance de ser
convidado.
Fui lá fora e o convidei a entrar para ficar
um pouco com todos que celebravam a páscoa nesse ambiente
agradável e farto de comida. Percebi a sua surpresa, mas para
alegria daqueles que já haviam também percebido e
"enxergado" aquela presença (naquele momento tão
significante) ele aceitou o convite, acompanhou de maneira
descontraída o restante da celebração e depois participou com
bastante entusiasmo do "banquete da vida" (estava com
fome).
Na sua saída ainda lembrei de perguntar o
seu nome, chamava-se Etel, e não sabia nem de quê, não tinha
registro de nascimento. Naquele dia, para os que o enxergaram
recebeu um sobrenome: Etel de Nazaré.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br