ESQUINA CULTURAL

Gláucia que é uma palmeira

Conheci-a durante a minha formação como médico. Muito jovem já coordenava o estágio oferecido aos doutorandos na Maternidade Santa Mônica. Foi durante muitos anos Diretora daquela casa. Sua administração centrada na disciplina e coerência transformou-a numa admirada dirigente.
 
Quando assumi a Direção do antigo Hospital Dr. José Carneiro, pude compartilhar com ela de uma administração colegiada, que reunia, além destes dois hospitais já citados, a antiga Escola de Ciências Médicas, o HEMOAL e a Unidade de Emergência (ainda pertencente a antiga Fundação Governador Lamenha Filho). O Presidente da Fundação à época era o Professor Djalma Breda (já falecido). Como única mulher dentro do Colegiado, a Gláucia se fazia respeitar e impunha seu espírito administrativo com a elegância peculiar de uma mulher dura e decidida nas suas opções.

Desenvolvi com ela uma relação de amizade que resultou na sua escolha para trazer ao mundo os meus três primeiros filhos (se possível fosse teria trazido os dez). A confiança que sentimos na sua atuação como obstetra a credenciou também para seguir nesse trabalho com a nova geração na figura dos netos. Recentemente trouxe ao mundo o Vinicius (meu terceiro neto).

Gláucia tem também uma bela história de militância política (tem Palmeira no sobrenome). Juntos, já partilhamos de muitas campanhas com trabalho de bastidores, e dos quais de vez em quando recordo e dou belas risadas. Nunca ousei ficar contra ela.
 
Mãe de dois lindos e bem criados filhos, o Carlinhos e a Daniela (médica, que já foi minha aluna), já pode se sentir realizada neste mister.

Hoje, está com sua vida profissional mais organizada. Apenas se dedica ao consultório e consegue manter uma clientela fiel realizando sua atividade de ginecologista e obstetra, unindo o conhecimento científico com a sabedoria que os anos de profissão lhe asseguraram.
 
É uma pena que como homem não tenha necessidade de seus cuidados profissionais – risos, embora como pai e avô esteja sempre recorrendo à sua sabedoria.

Minha querida amiga, é justo que você programe as suas atividade hoje de forma mais suave, sem tantas correrias, mas nem pense em abandoná-las tão cedo. Ainda tenho planos de ter muitos netos e bisnetos, e não vou abrir mão de sua segura presença nesses momentos. Segurança não é atitude que se imponha, é conquista. E em você ela transborda formosa e sólida como numa palmeira.

Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br

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