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Ouvi dizer
Sábado passado estive reunido com o grupo de sócios do Hospital
do Coração Memorial Arthur Ramos. A pauta da reunião esteve
montada nas possibilidades futuras deste empreendimento que
orgulhará toda a população alagoana. O comando dessa iniciativa
(desde os primórdios da Sociedade estabelecida como
Cardiodinâmica) foi do Ricardo César, um cardiologista da melhor
qualidade moral e científica e que tem se revelado um líder
extraordinário para “costurar” ações e decisões comuns a um
grupo bastante diversificado como este, constituído por um
conglomerado de Clínicas.
A edificação já demonstra a pujança da proposta. Um prédio
moderno, com uma arquitetura mais representativa de um hotel de
cinco estrelas e, acima de tudo, dotado da mais alta tecnologia,
à semelhança dos hospitais dos grandes centros.
Tudo isso seria obsoleto se não existisse atuando,
especialmente, no campo de hemodinâmica invasiva, uma equipe
competente cujos resultados positivos já produzidos nesses
últimos anos em que funcionou dentro do próprio Hospital
Memorial Arthur Ramos realizando cateterismos, angioplastias e
mesmo cirurgias do coração, alcançaram índices semelhantes aos
melhores serviços organizados no Brasil e no mundo. A taxa de
complicações em exames e procedimentos está na faixa de 0,4% ao
ano.
No entanto, um fato inusitado ocorreu enquanto conversava com um
dos responsáveis pelo Projeto da construção. Dizia-lhe que havia
ficado ainda mais feliz quando percebi que a frente do hospital
estava voltada para uma rua que se chamava Augusto Dias Cardoso.
Para a geração mais nova, que não tem conhecimento dos vultos
importantes de nossa história mais recente, o professor Augusto
(como era carinhosamente tratado por seus alunos) foi um dos
maiores anatomistas de nosso país. A sua fama correu não apenas
o nosso Estado, mas atravessou o Brasil e ganhou o mundo. Médico
simples e competente foi motivo de orgulho para toda a sua
geração.
Mais inusitado ainda foi saber que a rua havia mudado de nome, e
agora se denomina Ariosvaldo Pereira Cintra. De saída, desejo
dizer que o homenageado (para mim um desconhecido) deve também
ter feito por merecer que o seu nome fosse colocado num
logradouro público. Não desejo discutir esta homenagem. O que eu
não entendi foi a permuta. Um homenageado recebe a homenagem por
merecimento e pronto. Agora, o que não fica correto é a troca da
homenagem.
Como essa informação está ainda por conta do “ouvi dizer”,
espero que não seja verdadeira. Caso seja, eu pergunto
solfejando esse refrão de uma conhecida música: “se foi pra
desfazer por que é que fez”.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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