ESQUINA CULTURAL

Numa outra cidade

Semana passada, falei sobre multa de trânsito por atender o celular. Na verdade, falei sobre o fato de ter sido multado e condenado mesmo sem ter nenhuma prova de que atendia o celular enquanto dirigia. A rigor nem dirigindo estava, porque no momento em que fui, indevidamente, multado estava trabalhando em meu consultório.
 
Também falei que entrei com um recurso imaginando que o acusador teria que provar a minha culpa. Como resposta recebi, em casa, a sentença de que de fato sou culpado e terei que pagar, senão quando for emplacar o carro enfrentarei o valor da multa acrescido dos juros. Pensei em insistir com a minha defesa apresentando um novo recurso (a única coisa que me foi assegurada), mas, depois de ler um E-mail que recebi de um leitor, fiquei pensando que se morasse nesse imaginário local a minha insistência seria em vão.

Esse leitor a quem me refiro (recebi muitos E-mails de pessoas vítimas como eu manifestando solidariedade – não imaginava que o meu caso fosse tão comum), que mora, provavelmente, em outro estado, quem sabe até em outro país bem distante (esse é o problema dos E-mails, não permitem identificação do local de onde são postados), contou-me que existe no DEMIC (Departamento Especializado em Multar Incautos Cidadãos) uma Comissão escolhida para julgar esses recursos e, muitas vezes, eles (seus componentes) nem lêem o que está escrito, como também que a seleção dos casos ocorre de forma aleatória. O que funciona mesmo é: “ser amigo do Diretor desse Órgão, ter amigos que atuam na digitação, e finalmente (nem acredito que seja verdadeiro), ter amizade com algum vereador desse determinado, hipotético e longínquo município”.

Caso lá morasse (Deus me livre), eu não teria a menor chance, porque não preencho nenhum dos três pré-requisitos. Acho até que as minhas chances de anistia diminuiriam bastante depois de fazer esse tipo de comentário com acusações tão duras. Ainda bem que o leitor não se referiu à SMTT de Maceió. Senão eu poderia, depois desta matéria, ter a minha multa alterada para mais por provável desrespeito às autoridades.

Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br

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