ESQUINA CULTURAL
Natal é tempo de presença

Semana passada saí com toda a minha família para comemorar (um pouco depois da data) o aniversário de minha filha mais velha (que ainda está bastante nova – sem desejar fazer propaganda porque já tem pretendente e o dote será bem pequeno – risos). Pela primeira vez consegui juntar, além de minha nora, o meu pretenso genro e também o meu neto. A mesa teve que ser enorme e todos que entravam olhavam para aquele “grupo” pensando ser alguma reunião de amigos ocultos de alguma Entidade. Ainda fazia parte do grupo a figura mais importante da família que é a Bubú, nome carinhoso que os meus filhos mais novos deram à minha sogra. Nesse dia não almoçamos e combinamos com todos o que a gente costuma chamar de “almoço jantarado”, quando guardamos toda a fome de um dia para satisfazê-la em apenas uma etapa (sai mais econômico, em se tratando de família grande como a nossa, desde que não estejam com muita fome - risos).
Nesse clima de festa fiquei a olhar cada um dos presentes e senti logo a falta de minha filha Alana, que hoje mora em Salvador. Não deixei que ninguém percebesse a minha súbita tristeza, porque não seria justo, num momento tão feliz e com tanta gente ao meu redor, ficar triste porque me faltava “apenas” uma pessoa. Pensei numa forma de amenizar esse meu sentimento e fiz uma ligação para ela. Estava sozinha em casa porque o marido trabalha à noite. Falei o que estávamos fazendo naquele instante, em seguida, corri o telefone para que todos pudessem falar um pouco com ela. Naquele momento, quase que de forma mágica, a minha mesa ficou completa (pelo menos enquanto a ligação se prolongou).
Lembro-me desse fato hoje porque amanhã é Natal, para muitos, dia de festa e de presentes. Para mim, Natal é, na verdade, a festa da “presença”. Festejamos a chegada ao mundo de um menino especial que revolucionou a história da humanidade e que, mesmo partindo, desejou ficar entre os homens de forma definitiva. O dia de seu nascimento é um dos sinais que nos dão a certeza de sua presença na vida dos homens. 
Também vou comemorar essa presença na minha vida e na vida de minha família, mas esse Natal sem Alana será também para mim um Natal de “ausência”. A minha mesa não estará completa mais uma vez e o meu “banquete” será um misto de felicidade e de saudade. 
Filha, pelo que entendi o seu Natal será ainda mais de ausência do que o nosso, porque você estará sozinha numa cidade estranha e ainda sem amigos. Vamos fazer o seguinte: na noite de Natal vamos combinar uma hora para, ao mesmo tempo, fitarmos o céu procurando a estrela mais luminosa possível, numa tentativa de buscar e entender, à semelhança da estrela de David, o tipo de sinalização e de anúncio que ela nos fará. Quem sabe, essa estrela nos dirá que ainda teremos pela frente, num dia qualquer (não tenho pressa, embora não saiba se terei tempo), um Natal de presença.


Marco Antônio Mota Gomes

Médico cardiologista

E-mail: mota-gomes@uol.com.br

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