ESQUINA CULTURAL
Não leia se ainda não assistiu

O título do filme é “Como se fosse a primeira vez”, e se você ainda não assistiu é melhor que deixe para ler esse comentário depois. Não desejo estragar a possibilidade de uma reflexão que devia ser feita por todos os amantes antes do dia dos namorados. Não sou cinéfilo e nem tenho assistido a muitos filmes nesses últimos tempos, mas estava em Brasília aguardando o meu vôo, depois de duas horas de trabalho, e, não havendo mais o que fazer, resolvi tomar o caminho do aeroporto, que é o local mais seguro para se esperar o avião.

O aeroporto de Brasília está inaugurando uma série de reformas que o está transformando numa verdadeira área de lazer. Várias lojas, bela praça de alimentação, internet sem fio e quatro agradáveis salas de cinema. Para virar uma preciosidade falta apenas aderir a um pensamento que carrego a um bom tempo comigo, que é de se construir em área de aeroporto umas “gavetas” providas de ar-condicionado e som ambiente, que pudessem ser alugadas para um período de soneca, enquanto esperamos a hora de nosso vôo. 
Nesse dia, saí para conhecer a parte nova e parei na porta dos cinemas. Não desejei escolher o título do filme, e sim o horário que mais se enquadrasse com o meu tempo de espera. A melhor possibilidade era um filme de comédia romântica intitulado “Como se fosse a primeira vez”. Comprei pipocas, um copo de coca-cola light e entrei na sessão que já estava começando. Acredito que, pelo horário e se tratando de Brasília, onde as pessoas estão sempre ocupadas, eu era o único expectador daquela sessão.

O enredo do filme abordava a figura de um homem que tinha dificuldade de se apaixonar porque possuía bem determinado um desejo de permanecer sempre livre para fazer algumas coisas que curtia e não desejava nunca ser atrapalhado. Então, quando sentia que estava se envolvendo ele desaparecia da vida das garotas que conhecia durante os períodos de férias. Um determinado dia ele se encontra com uma jovem que desperta à sua atenção e a tenta conquistar. Entabula um primeiro contato, que não avança mais do que uma animada conversa. No dia seguinte vai procurá-la no mesmo local e a encontra fazendo as mesmas coisas. Ele tenta recomeçar a conversa do dia anterior e não é reconhecido pela jovem. Depois de alguns momentos de perplexidade, ele começa a tomar conhecimento de um problema que ela apresenta desde que sofreu um acidente: a jovem perdeu a capacidade de reter a memória atual, tudo que ela vive num dia esquece no outro. O problema é que ao saber disso ele já estava perdidamente apaixonado por ela. Então, para não abrir mão desse amor que havia encontrado, ele se dispõe a levar todos os dias de sua vida conquistando a mesma pessoa.

Penso que assim deve ser o amor verdadeiro entre duas pessoas. Movido sempre pelo esforço de uma conquista permanente. O amor precisa desse esforço e desse oxigênio para nunca deixar um ou outro com a sensação de conquista definitiva. Aprendi com essa “comédia romântica” a melhor lição de amor que já tive conhecimento: dormir com uma mulher apaixonada, acordar com uma estranha, ter apenas 24 horas para a conquistar de novo, e isso todos os dias de todos os anos de nossa vida. 

Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br

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