José Medeiros*
Encontrava-me em São Paulo, onde participei da Jornada
Médico-literária dos 40 anos de fundação da Sobrames Nacional
(Sociedade Brasileira de Médicos Escritores), quando ocorreram
os eventos comemorativos do “Dia Internacional dos Museus”;
lembrado na mídia, nas escolas e em setores culturais da capital
paulista. Assisti a um debate televisivo sobre “Museu e
educação”, em que foi bem salientado o ponto de vista de que
museu não é acervo morto, não é somente o espaço de visitação de
mestres e especialistas, mas, sim, um elo importante na formação
educacional e cultural de nosso povo. Apesar de ser um dos
setores menos aquinhoados pelos governos, cultuar museus
representa um importante prolongamento estético da educação e da
identidade da população.
Há dois anos, fiz uma visita ao Museu de Arte Moderna (MASP,
SP). Nessa ocasião, chamou-me a atenção a presença de caravanas
de alunos do ensino fundamental e médio, com atividades
programadas. Professores das escolas visitantes haviam realizado
treinamentos anteriores no próprio museu, a fim de que pudessem
melhor orientar os seus alunos.
Contou-me um dos mestres que, por vezes, os estudantes vão a
contra-gosto. Imaginam uma casa sem alma, sem atrativos. Voltam
felizes, pois realizam uma viagem no tempo, tendo uma
oportunidade de enriquecimento cultural.
Adquiri o livro “Meu Museu”, de Maisa Zakzuk, que conta a
experiência de uma adolescente que visitara um museu. Dessa
obra, retiro um pequeno trecho bastante expressivo: “Você acha
que museu é um lugar chato, cheio de coisas velhas e sem graça?
Pois, prepare-se para mudar de opinião. Os museus são cheios de
surpresas. Pedi a meus pais para fazer um passeio diferente,
descobrir novos lugares e suas histórias. Fomos a um museu.
Fiquei encantada com tudo o que descobri por lá. Uma experiência
inesquecível. Essa visita mostrou-me que há muita coisa além do
que é ensinado entre as paredes das salas de aula”.
Vale a pena repensar o papel dos museus como instituições a
serviço da sociedade e sua importância na formação educacional e
cultural. Um valioso espaço de educação não formal, espaço
cultural ainda inexplorado pela maioria de nossos estudantes.
Em Alagoas, o Museu do Instituto Histórico e Geográfico, Museu
Théo Brandão, Museu Pierre Chalita, entre outros; e entidades
congêneres, em vários municípios, guardam um conjunto precioso
de obras que merecem ser conhecidas e apreciadas.
É necessário valorizar e aproveitar esses bens culturais de que
dispomos.
(*) é médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde