ESQUINA CULTURAL
Meu encontro com Pedro paixão

Esperava o momento em que seria entrevistado pelo meu amigo Ricardo Mota quando chegou perto de mim uma pessoa muito falante e agradável. Iniciamos uma conversa a partir de uma pergunta sobre a minha participação como articulista deste Jornal. A conversa foi ficando interessante porque nos descobrimos como amantes desse desejo incontido de tergiversar sobre o cotidiano. Falou-me de uma excursão que fizera com seus alunos a Marechal Deodoro, e a descrição de uma casa de taipa que descobrira bem próximo à Igreja local fez-me também percorrer as ruas enladeiradas daquela cidade e defrontar-me com os ricos detalhes, estilo colonial, das edificações ali existentes.
Depois, falou-me da dificuldade de encontrar espaço para publicar as coisas que escreve (quase sempre fruto de exaustivas pesquisas). Revelou-me que, depois de “velho” (força de expressão), resolvera voltar a estudar e sentia que essa decisão, no momento, alimentava a sua existência.
Segui ouvindo a tudo atentamente e, em determinado momento da conversa, até notei que a nossa empolgação estava perturbando uma das entrevistadas que, na verdade, preferia estar ouvindo o jornalismo em desenvolvimento.
Falamos não apenas em espaço para publicação de crônicas e prosas, mas também na redução do tamanho do espaço a que estamos submetidos. Falei para ele que sou totalmente ajustável a essas condições. Escrevo exatamente dentro do que me foi permitido, embora muitas vezes sinta que o raciocínio poderia se desenvolver mais um pouco, permitindo uma conclusão mais lógica.
Saí daquela conversa encantado com a cultura útil de meu amigo. Que pena que os espaços para essas pessoas estão ficando cada vez mais restritos. Identifiquei-me com ele numa coisa fundamental: essa vontade louca de escrever e socializar o que a vida vai nos ensinando, e saí dali pensando que vou ficar muito triste quando também para mim esses espaços começarem a faltar.
Quando ia embora ainda ouvi um trecho de sua entrevista que dizia ser Leonardo da Vinci e Monalisa a mesma pessoa, e fiquei pensando: será que Pedro Paixão e Benedito Ramos não são a mesma pessoa.

Marco Mota
Médico cardiologista
E-mail: mota-gomes@uol.com.br

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