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A MÁQUINA E O HOMEM Nestes últimos dias estive refletindo sobre a relação entre o homem e o computador. Lembrei-me da bem-humorada história contada pelo dramaturgo Ariano Suassuna, a respeito de sua relação com essa máquina. Suassuna disse que sua sobrinha lhe ofereceu uma página em branco de um editor de texto, para que ele tentasse digitar suas primeiras palavras num computador. Sem saber o que dedilhar naquele teclado, o escritor resolveu iniciar seu relacionamento com a informática personalizando a página com seu nome.
Ao escrever a palavra "Ariano", a sensação foi de prazer pela primeira conquista. Mas, ao digitar o vocábulo "Suassuna", rapidamente, o "corretor ortográfico", por não reconhecê-lo, executou a substituição automática pelo termo "Assassino". Decepcionado, com a mudança de seu nome pela máquina, o teatrólogo passou a odiar os computadores, alegando incompatibilidade entre eles.
Sabemos que o homem inventou as máquinas, a princípio, para ajudar no trabalho muscular. E aí foi bem mais longe. Criou uma máquina que o ajudou a pensar: então, nasceu o computador. Terá sido assim?
Mas, o computador pensa? Não, é a resposta mais coerente para essa pergunta. O computador não pensa, ele apenas executa comandos do homem previamente programados. As limitações do computador variam de acordo com o problema a ser resolvido; há quem defenda que não existem tais limitações.
Na opinião da maioria dos usuários não há problema que não possa, em última instância, ser reduzido a números; e que operações muito complexas podem ser transformadas em operações simples. E é assim que o computador executa suas operações, através de cálculos simples; pelo fato de fazer essas operações com tanta rapidez é que os processos se tornam eficientes.
Devido a essa agilidade e eficiência, surgiu, ao longo dos anos, uma grande dependência da chamada "sociedade digital". Podemos ilustrar essa angústia com os versos de um compositor alagoano: "Virou um vício, era um custo benefício / já com cara de ofício, já com jeito de divã / minha memória só pensava em Margarete / minha vida era um disquete de capacidade ram / e se agravava, e se agravava ..."/ É preocupante qualquer tipo de dependência que se tenha.
O computador manda e desmanda. Emprega, oferece oportunidades de trabalho, de compras, de estudos e pesquisas, além de desafiar inteligências. Ou, ao contrário, desemprega, quando o empresário não acredita na explicação do operador da máquina que diz ter perdido todos os arquivos e programas por causa de um vírus. Quando isso acontece o resultado pode ser o divã do analista.
Um recém-iniciado escritor perdeu todo o conteúdo de seus escritos. Ficou estressado. Revoltou-se contra o fato de ser prejudicado pela máquina. Quase "pirou"! Entretanto, a "amizade" continua...
José Medeiros é médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.
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