Ficamos todos (acredito) de peito lavado com a rápida decisão
da Justiça brasileira ao aplicar a famosa lei do "olho por
olho e dente por dente", no recente caso, de difícil
solução diplomática, envolvendo o desembarque de americanos
no Brasil.
Tenho muito respeito ao trauma que chocou o
mundo e mudou as relações entre pessoas e países e, por isso,
compreendo a necessidade de se tomar providências, até mesmo
radicais, para se conter atentados terroristas, que não
escolhem as vítimas. Tive várias oportunidades de visitar os
Estados Unidos depois do fatídico 11 de setembro, e já passei
pelos "constrangimentos" de ser vistoriado no check
in, na entrada da sala de embarque e, na rampa de acesso aos
aviões. Já possuo até um sapato especial que pode ser
retirado sem dificuldade, quantas vezes se fizer necessário.
Numa das vezes que passava por Miami, procedente da Cidade do
México, tive confiscado na vistoria fina uma simples caixa de
fósforos, dessas que recebemos de brinde nos hotéis. Confesso
que sempre encarei muito bem esse tipo de cuidado, que de uma
forma bem objetiva oferece mais tranqüilidade aos passageiros,
que já foram utilizados como munição ao serem arremessados
contra alvos em terra. Num dos embarques em que utilizava uma
companhia aérea brasileira, notei um certo relaxamento na
vistoria, que era feita de forma aleatória, e com a segurança
não existe o aleatório (em princípio todos são suspeitos).
Nessa viagem fiquei intranqüilo e cheguei a comentar com meus
amigos, que também possuíam a mesma opinião. O perigo mora
mesmo é no ponto de embarque, por isso, todo cuidado é pouco e
nunca é exagero.
Agora, estamos diante de uma nova realidade
depois dos ataques americanos ao Irã e ao Iraque. O ódio e as
razões para ataques terroristas cada vez mais ousados foram
exacerbados, e os americanos, conhecedores da ousadia dos
potenciais agressores, apertam ainda mais as normas de
segurança, com a exigência de que pessoas embarcadas em alguns
países, como no Brasil, além de terem suas impressões
digitais registradas, sejam fotografadas com a identificação
à mão. O troco brasileiro (sempre mais criativo) repete as
mesmas exigências, mas dispensa a tecnologia, e os gringos
sofrem, além do vexame do tempo de espera mais prolongado, por
terem os dedos sujos daquela famosa tinta nanquim.
Agora, uma sugestão para completar e dar
sentido à reciprocidade da lei: que tal, para cada turista
brasileiro, com visto em dia, devolvido pela aleatoriedade da
alfândega americana, devolvermos também um turista americano,
depois de fotografado com os dedos sujos, e sem falar para ele
que só sai com sapólio.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br