ESQUINA CULTURAL
Lamento de um assalariado

"Ontem" tomei conhecimento do novo valor mínimo do salário.

Não podia esperar nada diferente desse "novo" velho governo, embora desejasse.

O mais importante (sabia) era manter a estabilidade econômica a qualquer custo.

Valendo, para isso, até o sacrifício de apertar mais ainda o cinto do trabalhador.

O desejo de, pelo menos, cem dólares ficou mesmo como mais uma bravata.

Vamos ter que esperar mais um pouco? Ou se entregar à frustração?

Ainda vale a pena pensar que a Esperança venceu o Medo?

Lá dentro do coração instala-se um profundo sentimento de revolta e indignação.

Onde já se viu tanta promessa vã e tanta cara de pau.

Radiantes devem estar (apenas) os ministros que defenderam esse ridículo valor.

De que vai adiantar, na minha vida, esses míseros vinte reais a mais?

O único caminho parece ser: denunciar e lamentar.

Salário mínimo dos mínimos és sempre o máximo dos lascados.

Ajuda-nos a seguir vivendo para aprender a votar com acerto.

Lutando com todas as forças para não sucumbirmos aos falsos líderes.

A vida continuará difícil para quem trabalha no pesado com honestidade.

Retirar da labuta diária o suado sustento será o maior dos desafios.

Investir na família procurando dar dignidade aos filhos será o horizonte distante.

Onde, enfim, iremos buscar estímulo para seguir vivendo?

Mais Fome ocupará o desgastado jargão do Fome Zero (ainda à esquerda).

Investimentos apenas em superávit primário para pagar juros internacionais.

Novas reformas para, no final, taxar os incautos e desprotegidos inativos.

Investigações apressadas para sustar CPI que poderia levantar muita lama.

Marcas de um governo "popular" que não tem Medo nem de matar a Esperança.

Onde guardou a sua palavra falante e viajante Presidente Lulla da Sillva?

Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br

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