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Hipertensão mascarada
O diagnóstico de
pressão alta (a não ser em situações especiais, quando o
paciente já tem o coração doente) não deve mais ser feito apenas
baseado nas medidas da pressão dentro dos consultórios médicos.
A medida da pressão fora (em casa; no trabalho) torna-se quase
obrigatória para afastar duas situações relativamente
freqüentes.
Uma delas, a mais comum, é a hipertensão do avental branco. O
paciente ao chegar ao consultório, especialmente na presença do
médico, altera muito a pressão. Mas se utilizarmos algumas
formas científicas de medir a pressão fora do consultório ela (a
pressão) será normal. Mais recentemente começamos a falar de uma
nova modalidade, que é exatamente o contrário da hipertensão do
avental branco. Denominada de hipertensão mascarada, é
caracterizada pelo encontro de pressão normal no consultório e
aumentada quando fora dele.
Essa modalidade é de detecção mais difícil, porque ainda estamos
acostumados a diagnosticar a pressão alta tomando por base essas
medidas tradicionais realizadas no interior dos consultórios.
Quais as consequências de não se ter esse tipo de hipertensão
devidamente diagnosticado? Como o diagnóstico não é realizado, o
tratamento não é estabelecido e o paciente fica exposto aos
riscos de ter uma doença importante de forma escondida
(mascarada).
A suspeita de se ter essa modalidade de hipertensão pode ser
feita quando encontramos num paciente com pressão sempre normal
alterações no coração, no cérebro, nos rins e, principalmente,
nos vasos (em especial no fundo de olho). O paciente vai ao
oftalmologista para um exame de rotina e ao ter o seu fundo de
olho examinado o médico lhe pergunta se tem hipertensão?
Naturalmente o paciente fala que não, mas deve ser orientado a
procurar esclarecer o motivo daquela alteração (tão típica dos
quadros de pressão alta) ter surgido.
Não conhecemos muito sobre essa modalidade nova de hipertensão,
mas já sabemos que ela não anda sozinha, e sim agrupada a outros
fatores de risco como: obesidade, estresse emocional e tabagismo
(ou melhor, tabaquismo como me ensinou o querido professor
Uedison Numeriano).
O maior problema é que a hipertensão mascarada tem sua gravidade
comparada à hipertensão não controlada, e como tem os números de
pressão “escondidos” torna-se uma nova inimiga ainda mais
importante que a própria pressão alta “revelada”.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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