*José Medeiros
Meu irmão, Rui
Medeiros, lembrava sempre que nossa infância foi embalada por
contos orientais, em cenários repletos de sultões, princesas e
escravos, que usavam roupas vistosas e coloridas. O cinema dos
anos 60, encheu-nos a imaginação com os encantos da antiga
Pérsia (hoje Irã e Iraque), beduínos guerreiros que atacavam
caravanas, lutas sangrentas entre tribos nas areias escaldantes
do deserto. Um mundo lendário e mitológico de sonhos e de
histórias fantásticas, como as de “Aladim e a lâmpada
maravilhosa”, “Alibabá e os 40 ladrões”; entre tantas outras
lendas do antigo mundo árabe. Na vida real e atual, o lirismo
dessas histórias foi substituído pela visão verdadeira de
miséria e de guerra no Iraque e pelo regime autoritário dos
dirigentes do Irã.
Lembrei-me de
tudo isso, após a leitura dos resultado de uma pesquisa, em que
se perguntava ao entrevistado: Se você encontrasse uma lâmpada
mágica e dela saísse um gênio que lhe desse direito à realização
de um desejo, um único desejo, o que você escolheria? E trouxe
as opções possíveis de serem escolhidas: ter muita saúde, ter
uma família feliz, ser rico(a), ser muito inteligente ou viver
um grande amor.
Refleti sobre
minha própria resposta a essas questões. Lembrei-me de uma outra
versão do conto oriental sobre “Aladim e a lâmpada maravilhosa”.
Nessa variante, o gênio, enorme e assustador, aparece e vai logo
dizendo ao surpreendido e boquiaberto árabe: – O que você
deseja? Eu sou o gênio da lâmpada! Faça um pedido e será
atendido! O aturdido árabe não teve dúvidas e pediu: desejo ter
muitas riquezas, quero que tudo em que eu tocar vire ouro. O
gênio ficou em dúvida: – Ouro? O senhor deseja que se torne ouro
tudo em que tocar? – Sim, é esse meu desejo. Foi atendido, mas
morreu de fome alguns dias depois. Não imaginou o ambicioso
oriental que até os alimentos se tornassem moedas e barras de
ouro.
Volto ao
resultado da pesquisa. Ter muita saúde foi o desejo campeão,
liderou com larga maioria o resultado. Aliás, com muita lógica,
desde que a saúde é um bem sem o qual nenhum outro se pode
gozar. Uma curiosidade apurada pelo resultado do questionário
foi a de que as mulheres se preocupam com a saúde bem mais que
os homens.
Ter uma família
feliz veio em segundo lugar nas respostas. Uma família feliz
assegura tranqüilidade no dia-a-dia e contribui para uma boa
saúde física e mental.
(*) é médico e ex-Secretário de Saúde e de Educação