ESQUINA CULTURAL
O que nos reserva o futuro

Comecinho de noite, uma conversa de hora marcada, sobre a qual desconhecia o teor, com um grupo de estudantes de ensino médio. Muitas perguntas sobre minha vida profissional, ocorrências, fatos pitorescos, decepções. Mas, desde o inicio, imaginei que eles tinham um motivo a mais, no desempenho da tarefa escolar que realizavam. Não me enganei. Veio a primeira pergunta: – Professor, como será a medicina daqui a 100 anos? – Ri, rimos todos. Respondi que não tinha bola de cristal e o que quer que eu dissesse não poderia ser conferido por eles, vez que, nessa época, já estaremos em outra dimensão maior.
Entretanto, relatei a opinião de um colega que gosta de palpites futuristas. Costuma afirmar que “daqui a 100 anos a medicina não precisará de médicos, os diagnósticos e as receitas serão ditados pelos computadores, os cuidados com os pacientes serão executados por robôs treinados e especializados para esse fim”.

Já tinham outra pergunta na pauta: – O que nos reservará o futuro daqui a 50 anos, nos moldes da evolução atual da biologia e da medicina?
Nessa época, tudo indica que as discussões do presente tais como: células-tronco, eutanásia, clonagem, radicais livres, colesterol, vacinas contra Aids e HPV, etc., poderão estar superadas. Ninguém duvide, haverá uma corrida contra o tempo, descobertas e mais descobertas, avanços e mais avanços ocorrerão. O que não sabemos é se as pessoas estarão mais felizes, menos estressadas e se as desigualdades sociais terão diminuído.

Como vários dos alunos presentes desejam fazer vestibular de medicina, mostrei-lhes um livro cuja leitura concluí recentemente: “A assustadora história de pacientes famosos e difíceis”, de autoria do médico Richard Gordon. Tenta provar que, com freqüência, nossa história tem sido conduzida por líderes políticos portadores de doenças físicas e mentais. Ficamos à mercê de humores amargos e recalques angustiados.
Napoleão, por exemplo, era portador de câncer no estômago e psicose maníaco-depresiva. Hitler era neurótico, hipertenso, tinha os tímpanos rompidos e sensível diminuição da visão. Seguem-se, Stalin, e mais 25 importantes personagens, que também apresentaram problemas na saúde.
Pobre mundo em que dirigentes foram mais doentes, bem mais doentes, que as populações por eles dirigidas.

O que dirá o futuro sobre George Bush, com sua megalomania e psicose-guerreira? Num ponto, todos nós concordamos: como Bush deseja ser “presidente do mundo”, nós (eu e os estudantes presentes) não votaremos nele, em nenhuma hipótese.

José Medeiros*
(*) é médico e ex-Secretário de Saúde e de Educação.

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