ESQUINA CULTURAL

Fases da vida

Recentemente ouvi um comentário sobre as fases da vida ativa de um indivíduo. Seria mais ou menos assim: “dos 18 aos 25 anos a fase de aprendizagem; dos 26 aos 35 a fase da coragem; dos 36 aos 50 a fase da colheita; e, depois dessa idade, a fase da inércia”.

O comentarista ainda afirmava que: “se uma pessoa chegar aos 30 anos e ainda estiver aprendendo, já terá queimado uma etapa”. O que significa dizer que, se entre 36 e 50 não estiver colhendo “o que plantou”, precisará de muita “coragem” para seguir vivendo, e não deve nunca alcançar a colheita, ou seja, a desejada estabilidade financeira.

Depois de ouvir atentamente fiquei meditando sobre as diversas fases (que podemos chamar de produtivas), fazendo uma correlação com o aconteceu comigo. Penso que essa minha reflexão se aplica a outras pessoas.
Primeiro, acredito que todos nós pulamos algumas etapas e esticamos outras. Algumas até para sempre, como é o fato de precisarmos de “coragem” para seguir sendo aprendiz. Até acho que o comentarista desejou dizer, foi que depois de determinada idade não podemos apenas ficar estudando e aprendendo, e que, depois que terminamos a etapa formal de aprendizagem, necessitamos ter muita coragem para entrar no mercado de trabalho, marcado por competitividade e escassez de oportunidades.

Depois, acredito que em cada fase da vida vamos necessitar conjugar pelo menos as duas equações: aprender e ter coragem, ou melhor, ter coragem para aprender.
Na vida produtiva somos eternos aprendizes, e, se faltar coragem, para colocar o conhecimento que acumulamos para render algum fruto que possa ser colhido, não vamos a lugar nenhum.

Estou chegando aos 60 anos depois de ter vencido pelo menos três etapas, e a colheita não me permitiu ainda nem pensar na inércia. E, Deus me livre desse pensamento. A inércia é amiga íntima da depressão. Quando digo ter medo de ficar apenas vivendo do que colhi, vem à minha cabeça a idéia de que a minha colheita (em termos materiais), foi muito pequena para que tivesse uma velhice (quando ela chegar) tranquila (o meu world estranhou esse tranquila sem tremas, e sofri para retirá-lo – risos). No entanto, quando imagino que a colheita pode ser expressa no amor que pude dar e receber, até acho que foi além do merecido.

 

Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail: mota-gomes@uol.com.br

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