ESQUINA CULTURAL

E se?

Estou retornando de São Paulo onde estive participando de mais um Congresso Brasileiro de Cardiologia. Um extraordinário Evento, que reuniu a nata dos especialistas desta importante área da medicina, e Alagoas esteve bem representada.

Costumo sempre viajar com pouca bagagem, muitas vezes com uma pequena mala de mão onde coloco apenas o mínimo essencial. Desta feita, como ia encontrar Inês que tinha ido dias antes para participar do Congresso de Dermatologia, levei uma mala enorme para ajudar a trazer o excedente acumulado por ela.

No momento do embarque (quando de meu retorno), a funcionária da companhia aérea brincou com o peso de minha mala dizendo imaginar que somente mulheres embarcavam com malas pesadas. Eu lhe expliquei, em tom de brincadeira, que ali estavam os “restos mortais” (no sentido figurado) de minha mulher. Ela sorrindo voltou a questionar perguntando: “então, pelo peso, o senhor deve ter esquartejado ela”.

Por coincidência, dias antes havia assistido uma bela palestra sobre gestão empresarial e pude então explicar-lhe o porquê das mulheres sempre carregarem muita bagagem em qualquer tipo de viagem, independente da duração. É que nesse caso funciona a teoria do “e se?”.

O problema é que a mulher no momento de preparar a sua bagagem sempre se pergunta: e se chover? E se fizer frio? E se tiver que demorar mais um pouco? E se aqueles amigos convidarem para ir ao teatro? E se tiver algum problema de saúde? Aprendi até porque as mulheres sempre levam o velho secador de cabelos, mesmo sabendo que todos os hotéis agora dispõem desse serviço nos quartos: “e se” o do hotel não funcionar como o meu?

Muitas vezes, noto a revolta de minha mulher quando viajo para passar três dias levando apenas uma calça. Ela sempre me questiona: e se sujar?

Não é que recentemente, numa dessas viagens de ir e voltar no mesmo dia, eu levei durante o vôo uma bela vomitada de uma passageira que estava sentada ao meu lado. Não escapou nem os sapatos que costumo retirar dos pés quando estou viajando.

Eu, que sempre respondia para o “e se?” dela colocando que nesse caso eu compraria uma calça nova, esqueci que deveria também ter utilizado a mesma estratégia para me perguntar “e se?” nesse caso for tão cedo que não tenha nenhuma loja especializada ainda aberta?

Desnecessário dizer que fui para a minha reunião de trabalho pouco cheiroso (para não dizer mesmo fedendo a vômito), pagando o preço de não ter obedecido à lógica feminina do “e se?”.

Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br

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