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Ser diferente é normal
Estou retornando do melhor Congresso Brasileiro de Cardiologia
dos últimos tempos. Esse foi realizado em Curitiba, num belo
Centro de Convenções e com uma organização impecável. A
programação científica contemplou os temas palpitantes e as
controvérsias foram discutidas sempre contando com um agonista e
um antagonista. Diversos cardiologistas da nossa terra lá
estiveram, marcando a presença da cardiologia de nosso Estado
neste cenário científico.
Poderia gastar o meu espaço falando dos avanços científicos e
tecnológicos que por lá observei, mas vou dedicar o meu tema a
um Projeto de Inclusão apoiado pela Peróxidos Pharma
(Representante dos produtos Omron no Brasil). O Projeto objetiva
a inclusão dos portadores de Síndrome de Down no mercado de
trabalho.
Conhecemos um pouco a angústia que os pais de portadores dessa
Síndrome experimentam quando pensam no futuro de seus filhos. Em
suas cabeças deve sempre existir a pergunta: quem cuidará de meu
filho se eu morrer? Quem proverá as suas necessidades? Enquanto
fazem essa pergunta travam uma luta diária no sentido de
conseguir um desenvolvimento possível, dentro das limitações que
essa Síndrome propicia. São pessoas especiais, são pessoas com
algumas características que as tornam diferentes, mas são
absolutamente iguais em suas necessidades físicas e
psicológicas. O slogan desse Projeto é “Ser diferente é normal”.
Quem vai gerir esse Projeto é o Instituto MetaSocial com sede no
Rio de Janeiro. Conversei com Helena a Coordenadora desse
Projeto e com Raul Guillan, Gerente da Peróxidos Pharma do
Brasil, que apóia a realização deste Projeto nacional. O folder
produzido contém esse pensamento: “o que há de tão diferente
entre nós? O pensamento das pessoas é muito parecido. E se os
sonhos são os mesmos... As oportunidades também deveriam ser. No
fundo, somos todos iguais... sobram apenas, as pequenas
diferenças. Ser diferente é normal”.
O Instituto MetaSocial já desenvolveu vários projetos de impacto
como: a Turma da Clarinha, Formação Profissional com apoio da
PUC de Campinas, Projeto Fotográfico – Diversidade, Aprendendo
com as diferenças, Enredo Carnaval Carioca de 2001 – Samba
Diferente.
Neste Projeto de Inclusão atual a proposta é capacitar jovens
portadores dessa Síndrome para atuar nas diversas clínicas de
cardiologia, das diversas cidades de nosso país, realizando
atividades de sala de espera, que vai do acolhimento à medida da
pressão arterial com o emprego de equipamentos automáticos
digitais.
Convidaram-me para apoiar esse Projeto treinando pedagogas que
já atuam com esses jovens, no sentido de fornecer informações
científicas sobre a medida da pressão para que sejam
decodificadas e devolvidas como forma de ensinamento para eles.
Fui mais adiante quando pensei mesmo num curso
profissionalizante que pudesse ser adotado pelos órgãos que
cuidam desse propósito nos diversos estados.
O sentido de um Projeto deste porte não é abrir espaço de
trabalho para portadores de Síndrome de Down porque eles são
diferentes. Ser diferente é normal. Anormal é fechar os olhos
para uma realidade porque ela não nos pertence. Anormal é não
reconhecer e não entender que somos todos “diferentes”.
Contatos para adeptos desse Projeto: www.metasocial.org.br
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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