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Uma emoção difícil de retratar
Na semana que passou estive visitando a minha filha Inesinha (a
de número seis), que estuda na cidade de Keyser situada na West
Virgínia (Estados Unidos). Foi a sua formatura no High School,
que corresponde no Brasil ao último ano da graduação. Não foi
fácil largar todos os compromissos de trabalho, mas valeu a pena
tê-los largado. E como valeu, porque além de matar a saudade e
“lamber a cria”, que já não via há quase um ano, pude viver um
dos momentos mais gloriosos da minha experiência como pai.
Inesinha teve muita sorte ao ser acolhida por uma bela família (host
family). Aproveitamos dessa hospitalidade quando fomos também
recebidos por três dias, e pudemos (eu, Inês e Marnes) observar
o enorme carinho dedicado a ela. Tenho certeza de que ao voltar
para o Brasil ela trará muitas recordações (boas) difíceis de
serem apagadas de sua memória, e também deixará marcada no
coração de seus pais hospedeiros uma forte dose de carinho e
apreço.
Foram três dias de muitas emoções e muitas comemorações.
Inesinha foi homenageada na Igreja Presbiteriana (freqüentada
por seus pais), e depois da formatura teve outra bela festa na
casa de seus avós. Lá pude perceber que ela havia conquistado
não apenas a sua “host family”, mas os avós, tios e primos, e
também uma legião de amigos do círculo de amizade familiar.
O momento mais emocionante para nós foi o da graduação. Inesinha
foi escolhida para ser a primeira oradora da turma. Tudo
aconteceu num ginásio repleto de pessoas, já que dessa graduação
participavam cerca de 200 jovens. Imaginem a emoção de ouvir o
diretor da Escola anunciando o seu nome e convidando-a para
fazer a saudação (logicamente em inglês) para os presentes. A
emoção triplicou quando ouvimos os colegas fazerem coro
pronunciando o seu nome numa demonstração coletiva de carinho.
Depois, num emocionado discurso ela agradeceu toda a
hospitalidade, lembrou que ali chegou como uma estrangeira e na
convivência com os colegas, especialmente na prática dos
diversos esportes que a escola proporciona, pode conquistar uma
legião de amigos. Finalizou, dirigindo o olhar para a
arquibancada, para onde nós estávamos localizados, e com a voz
embargada (nesse momento teve o seu discurso interrompido por
aplausos) nos agradeceu a presença e a oportunidade oferecida
para que ela realizasse o que denominou ser “o sonho de minha
vida”.
Filha, que belo momento você nos proporcionou. A sua graduação
mostrou-nos que a opção de ser pai e mãe de tantos filhos valeu
a pena, por isso não contivemos as lágrimas e continuo chorando
sempre que revejo o vídeo gravado por minha maquina fotográfica.
Aquele momento ficará eternamente gravado num local especial de
meu cérebro, apenas reservado para recordações ainda maiores que
os sonhos de sua própria vida.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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