ESQUINA CULTURAL

Um dia conto o desfecho

Madrugada de um dia de semana em Maceió. Minha filha Anita regressava para casa sozinha, quando sofreu um acidente automobilístico. Bateu de leve num táxi e danificou o pára-choque dianteiro. No seu carro (um bem gasto Palio ano 2002) nada importante, porque a parte atingida foi a roda dianteira.
 
Como reconheceu ter culpa no pequeno acidente, também apreensiva com a violência das ruas de nossa cidade, e por saber que o seguro de seu carro cobria esse tipo de avaria contra terceiros, forneceu seu telefone e mandou que o motorista a procurasse no dia seguinte para os acertos de contas.
 
Dois dias depois de comunicar ao seguro recebeu o veredicto que a vistoria, por não ter encontrado nenhum sinal em seu carro que justificasse o tal acidente, não assumiria nenhuma responsabilidade com o caso. Como já havia se comprometido com o taxista em pagar o conserto, pediu-lhe que apresentasse um orçamento. Dias depois este apareceu com uma despesa de R$ 900,00 (que correspondia em R$ 500,00 de peças novas e R$ 400,00 de mão-de-obra). Pedi-lhe que procurasse outra oficina para um segundo orçamento, por achar que o valor estava totalmente fora do esperado. Numa outra oficina o orçamento de mão-de-obra caiu logo para R$ 150,00 e o conserto total não passaria de R$ 300,00.

Definidos os valores o motorista do táxi começou a apresentar dificuldades alegando que necessitava parar o carro e cobrando duas diárias adicionais para compensar essa parada. O dono da oficina assegurou para ele que aprontaria todo o serviço e que ele pararia apenas com tudo pronto para colocar a peça no local, perdendo no máximo duas horas. Depois dessa conversa a minha filha saiu para comprar o pára-choque e ao retornar a oficina, recebeu um telefonema do motorista dizendo que não adiantava mais comprar nada, que o serviço já estava feito e pago, e que de agora para diante o pai dela (que sou eu) iria encontrá-lo diante de um juiz, porque ele já havia entrado na justiça com a ajuda do advogado de seu Sindicato.

O final dessa história eu conto para os leitores depois dessa minha visita ao Juiz para me defender desse hediondo crime cometido por minha filha (ter batido de leve num velho táxi, e a perícia realizada pelo seguro no dia seguinte não ter encontrado nenhum vestígio que justificasse o acidente).
 

Marco Mota / Médico cardiologista / E-mail: mota-gomes@uol.com.br

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