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Seria bom para a democracia
Domingo é dia de eleitor comparecer às urnas para uma votação de
cinco escolhas. Mesmo com as urnas eletrônicas e o chamamento
para levarmos as nossas anotações, acredito que será uma eleição
lenta e de longas filas.
As pesquisas de intenção de voto (as sérias) têm contribuído
para tirar o gosto pelos resultados, se bem que às vezes o
eleitor no momento de votar contraria tudo o que era esperado e
muda o curso da história.
No panorama nacional o favoritismo do Presidente Lula é notório.
Em nenhum momento, para qualquer dos Institutos de Pesquisa,
surgiu a mínima possibilidade de haver um segundo turno. Parece
que a reeleição é fato consumado. Nem os mais recentes
imbróglios da equipe de campanha e dos amigos do Presidente
parecem alterar os frios números que apontam para a vitória num
primeiro turno.
Uma coisa, no entanto, me chama a atenção: no meu ciclo de
amizade e nas minhas conversas com muitos clientes que atendo
diariamente, apenas conheci um eleitor declarado de Lula. Gravei
seu nome, mas vou chamá-lo de Lulista Convicto da Silva uma vez
que não me autorizou declará-lo publicamente. O sobrenome não
tem nada a ver com o do Presidente. É um amigo bem instruído e
politizado. Estranhamente avesso à falcatruas e revolta-se com
facilidade quando percebe alguma sujeira ou roubalheira. Não
recebe bolsa família e nem tem Cargo Comissionado na área
federal. Sempre que conversamos sobre esse tema ele me diz que,
apesar de tudo, acha que Lula deve ser reeleito porque
representa ainda o sonho republicano.
Já fiquei pensando muito sobre essa decisão tomada pelo único
eleitor declarado do Presidente Lula nessa eleição de domingo,
que eu conheço. O que teria levado esse meu amigo (no passado,
quase comunista) a manter essa posição firme de votar mais uma
vez no Presidente? Esse mistério que ele não revelava por nenhum
preço, resolveu recentemente dividir comigo: aprendeu algo com a
turma de “esquerda” que não abre mão de continuar acreditando: a
teoria do quanto pior, melhor.
Ainda continuo acreditando que o melhor para o Brasil e para a
democracia seria um segundo turno com qualquer candidato. Até
mesmo para que o Presidente, que gosta de comparar tudo com uma
partida de futebol, num segundo tempo pudesse explicar para a
Nação porque no time que colocou em “campo” no primeiro mandato
ocorreram tantas “expulsões” por corrupção, sobrando apenas o
capitão.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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