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Poucos craques, muito crack
Semana passada, estive
reunido com um grupo de alunos e professores da UNCISAL. O
objetivo foi conhecer e avaliar Projetos de Pesquisas e de
Intervenções em Unidades de Saúde do II Distrito. Esse Projeto é
coordenado pelo Professor Paulo Medeiros. Confesso que fiquei
surpreso e feliz com a criatividade dos alunos, e a riqueza de
idéias postas para discussão.
No entanto, saí daquela reunião chocado com o depoimento de um
grupo que atua numa área bem próxima à nossa Universidade. O
relato sobre a violência me emocionou. Quanto aos números, não
os tenho guardados em minha memória, mas a quantidade de
assassinatos por mês, dá uma idéia aproximada do tamanho da
violência ali estabelecida. Áreas de domínio do trafico de
drogas, onde predomina o crack. Um dos projetos já desenhados
para intervenção, está paralisado por questões de seguranças dos
alunos envolvidos. Determinados acessos, apenas são permitidos
depois de negociação com o “chefe” de trafico. Tudo isso,
reafirmo, em áreas vizinhas à nossa instituição.
Dias depois assisto a escolha do Brasil para sediar as
Olimpíadas 2016. Tomo conhecimento, de que para sediar um evento
desse porte o país escolhido deverá fazer investimentos na ordem
de 26 bilhões de dólares. Assisto a emoção de nossos dirigentes
com a conquista desse direito. Também me alegro, o sentimento de
ser brasileiro fala mais alto.
No entanto, temos outras prioridades. Imaginem o Brasil todo
envolvido na luta de combate ao trafico, usufruindo de recursos
dessa monta, e somado ao sentimento de patriotismo que uma
batalha olímpica sempre desperta.
Todas as chamadas que já anunciam 2016, utilizam jovens que
chegarão nesta data com capacidade de participar dos jogos e
competir por medalhas. É essa mesma juventude que hoje perde a
guerra para a violência das drogas.
No nosso Estado, a participação maior é do crack. Somos, nesse
presente momento, dominados por grupos de traficante que fazem a
maratona ao contrário. Ao invés de formar craques para
conquistar o maior número possível de medalhas em 2016, eles
alimentam a geração de crack`s, que se não contida nos oferecerá
medalhas de vergonha, choro e decepção.
Porque Chicago foi a primeira cidade “derrotada”? A população de
lá, instruída e em mergulhada na crise, disse não a uma
possibilidade de aprofundamento da situação com gastos
desnecessários. Não afirmo que o Brasil também deveria dizer não
a sediar esses jogos em 2016, mas ao menos deveria “acordar”
desse sonho olímpico (necessidade de formar rapidamente uma
geração de craques), e viver desde já a olimpíada de seus
desafios prementes. Entre eles, a do excesso de crack.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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