ESQUINA CULTURAL
A Simbologia das Cores

Conversei com uma psicanalista sobre o simbolismo e o poder das cores no desencadeamento de emoções. Citei o escritor Opie, que afirma: “A cor exalta a alegria, aquece o amor, inflama a ira e aprofunda sentimentos de tristeza, dependendo de sua tonalidade”. É inegável sua estreita relação de memória com fatos e acontecimentos ocorridos ao longo do tempo. Acrescentei um ponto, num ângulo bem pessoal: por que gosto tanto da cor verde? Na infância, inconscientemente até, descobri uma estreita preferência por essa cor; e daí em diante isso foi-se afirmando no amor e na admiração por clubes de futebol que ostentam essa cor, por salas e objetos pintados com essa coloração. Mais tarde, na Medicina, além de aspectos da vocação na escolha profissional, pode ter tido alguma influência o gosto pela tonalidade verde.

A especialista a que me referi, ouviu-me com atenção; propôs, então, um teste investigativo que poderia levar à descoberta das razões dessa preferência. E não foi difícil a conclusão, pois, para isso, bastaram poucos minutos de análise. Explico por quê: nasci numa fazenda, às margens do Rio São Francisco. Ao abrir os olhos para o sol, já me deparava com os verdes gramados mantidos no inverno e com o esverdeado que predominava na Serra da Tabanga, um monte de razoável altura situado no lado sergipano da caudal sanfranciscana. Poderia repetir a expressão poética: cresci em liberdade, “correndo pelas campinas, de pés descalços e braços nus”. A opinião da especialista foi clara: não havia dúvidas que na minha infância estavam as causas procuradas.

Olavo Bilac considerava o verde “um símbolo incontestável da esperança, da espiritualidade, uma cor repousante, que mesmo em grande extensão não causa fadiga”. As cores existem desde que a luz se fez. Para Jung, um dos mestres da Psicanálise, as cores exprimem as quatros funções mentais básicas: o pensamento, o sentimento, a percepção e a intuição.

Ao longo do tempo, têm variado as opiniões sobre a influência e o poder das cores. Do pincel dos pintores, surgiram centenas de gradações coloridas; do enlevo da palavras poéticas emergiram sintonias de estranhas dimensões. Machado de Assis, relacionava as cores e o tempo, na variação de múltiplas interpretações. É dele a expressão: “O tempo é um tecido invisível sobre o qual se borda tudo: uma flor, uma dama, uma figura colorida”.

Há os que acreditam no poder curativo das cores, em propriedades terapêuticas que vão além do visível. Gosto da cromoterapia, uma das expressões da medicina alternativa, pois julgo que ela é capaz de abrir caminhos que nos levam a uma vida mais tranqüila e mais feliz.

O verde, de acordo com a cromoterapia, tem propriedades calmantes, expressa a natureza e sensações agradáveis. A Medicina, ainda despreza esses conhecimentos milenares.

José Medeiros*
(*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.

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