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Ampliando o conceito de amizade
Nesta semana
comemorou-se (pelo menos na internet) o dia do amigo. É
interessante quando alguém, que curte esse tipo de comemoração,
faz uso de sua longa lista de e-mails e dispara uma mensagem
lembrando da data e do valor de se cultivar amigos. Na verdade,
a lista corresponde aos que pertencem à sua realidade de
amizades, mas, quando começa a circular, muitos vão se
identificando e acaba virando uma verdadeira corrente de
mensagens positivas.
Estava alimentando uma dessas correntes, que até me ajudou a
descobrir uma amiga com quem não falo há bastante tempo, quando
tive vontade de refletir sobre essa necessidade, tão forte e
humana, de se ter amigos. Sempre alimentei essa inclinação como
a melhor política a ser exercitada. Ter amigos representa a
certeza de que temos sempre alguém com quem repartir as nossas
derrotas e vitórias. De que adianta almejar uma grande
conquista, se não temos com quem compartilhar a alegria sem
perceber nenhuma atitude de inveja ou de estranhamento. Do mesmo
modo, como é difícil num momento de dor ou de inquietação não
encontrarmos com quem dividir a nossa tristeza.
Lembro-me de um colega que uma vez me disse que não sentia
necessidade de ter muitos amigos. Vivia bem na sua solidão,
embora revelasse que ao regressar sem ter com quem conversar ou
mesmo contar as surpresas de uma viagem sentava-se ao lado do
seu cão de estimação e desabafava. Dizia ele, que um cachorro
amigo é sempre melhor que um amigo cachorro. Até porque, seu cão
de estimação ouvia tudo atentamente, parecendo concordar com
seus pensamentos, sem interrompê-lo enquanto falava.
Costumamos dizer que amigos a gente conta nos dedos. Que pena!
Se adicionarmos os dedos dos pés, assim mesmo a nossa lista de
amigos chegará ao máximo de vinte.
Tenho em São Paulo vários amigos, mas vou dedicar esse dia a um
deles. Meu colega de clínica, o Jassen, está com sua esposa
fazendo um tratamento médico em São Paulo desde novembro do ano
passado. Logo que para lá eles se deslocaram, procurei ativar a
minha rede de amigos para apoiá-los. Um desses amigos ativado, o
Carlos Machado, logo se apresentou, e tenho certeza de que a sua
presença ajudou-os bastante. Ele mora no outro lado da cidade e
para chegar ao local da visita cumpre uma longa viagem.
Recentemente nos encontrarmos e fui agradecer pela solidariedade
prestada ao Jassen e a Jaqueline. Ele não deixou nem que
concluísse essa minha tentativa, arrematando: “Marco, eu é que
devo a você essa chance de conhecer um casal tão maravilhoso”.
Essa caminhada que realizamos aos sábados (eu e Toninha – sua
esposa) já faz parte de nossa vida. Nós é que já estamos
pensando como será no dia em eles voltarem para casa. Ser amigo
é: “gostar do amigo do amigo”.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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