ESQUINA CULTURAL

Começando o ano

Já estou totalmente mergulhado no ano de 2009. Quando falo mergulhado, não significa que a minha opção tenha sido a de ter permanecido na Barra de São Miguel (onde passei esse final de ano), usufruindo daquele exuberante mar. O mergulho já é mesmo no trabalho. Esse ano que começa está prometendo muitas atividades.

O movimento de consultório está bastante focado nas promessas de final de ano: desejo de emagrecer, desejo de iniciar atividade física, e, em alguns casos, o de pessoas já com doenças manifestas, o desejo de ser mais aderentes e cuidadosas com o tratamento.

Os que trazem exames de sangue, geralmente estão assustados com os valores de colesterol e de glicemia. Essa época de muitas opções em comidas, e também a oportunidade de várias comemorações, favorece bastante esse desequilíbrio. Eu que costumo dizer aos meus clientes que o que engorda não é o que se come entre o Natal e o final de ano, e sim o que se come entre o final de ano e o Natal, estou me convencendo de que o intervalo entre o Natal e o final de ano é de fato muito calórico. Quando reclamo que os clientes parecem ter engordado um pouco, eles também não se dão por vencidos e dizem: “até o doutor parece que também engordou um pouquinho”.

O pior é que é verdade. Engordei e até tenho testemunha do motivo. O problema é que adoro de verdade comida mineira, e entre a Barra e Maceió (logo na metade de meu percurso) colocaram um restaurante com esse tipo de comida.

Falei que tinha testemunha de meu ganho de peso e vou explicar: “estava preparando o meu prato com tutu de feijão e costelas de porco, quando ouvi perto de mim uma voz, exclamando perplexidade: “meu Deus, um médico também come essas coisas! Era um padre amigo que também fazia o prato repleto de verduras (por recomendações de seu cardiologista - risos). Confesso que fiquei um tanto sem jeito, mas não perdi o rebolado e fui logo justificando: “é padre, esses pecado a gente só comete de vez em quando, e só o cometi porque lhe vi antes de entrar e tinha certeza de seu perdão”.
 

Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail: mota-gomes@uol.com.br

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