ESQUINA CULTURAL
O que fazer com cinco minutos

Semana passada estive em Recife participando do I Simpósio Nacional de Hipertensão Arterial do SBC/DHA (Departamento do qual sou o atual Presidente). Não tínhamos a prática de realizar Eventos desse porte, por isso, esse entra para a história como o primeiro de (acredito) uma série vitoriosa. O segundo Simpósio Nacional já está agendado para Maceió, em outubro de 2005, e logo constituiremos uma Equipe local para cuidar de toda a programação.

Foi um momento importante na vida de um Departamento que é cientificamente forte e bem organizado. A Presidência do I Simpósio Nacional foi de meu colega pernambucano Dr. Hilton Chaves. Ele cuidou de uma forma tão competente de todos os detalhes que dificilmente iremos encontrar algum participante que tenha feito uma avaliação negativa. A abertura dos trabalhos aconteceu no belo Teatro Santa Izabel, quando assistimos a um concerto da Banda Sinfônica do Recife, ao melhor estilo; e o jantar dos palestrantes no Forte das Cinco Pontas, elegantemente ornamentado para uma noite de gala. Toda a programação científica bem estruturada, e contendo temas palpitantes, foi desenvolvida de forma participativa e competente. Presentes, mais de cinqüenta convidados ligados a área da hipertensão arterial, que deram ao Evento o brilho científico.

Como bom observador, destaco um fato que, para mim, marcou o mais importante momento de embate científico. Uma das conferências mais esperada foi a de meu colega gaúcho Dr. Flávio Fuchs, e a temática versava sobre a pertinência de se tratar indivíduos considerados "normotensos" com remédios anti-hipertensivos. Depois da brilhante e controversa palestra, havia um pequeno comentário de apenas cinco minutos de duração. O colega escalado para essa função foi um sergipano agora radicado na Bahia (bastante conhecido da classe médica de meu Estado). Quando li a programação achei que convidar uma pessoa da estirpe dele para fazer apenas um comentário de cinco minutos seria um desperdício. Ledo engano, nunca assisti um aproveitamento de cinco minutos tão competente. Ele chegou de mansinho, com a elegância científica que lhe é peculiar, e de uma forma brilhante e organizada despejou, dentro do tempo que lhe fora determinado (sem avançar nem um segundo), uma sabedoria científica que me deixou emocionado.

Encerrada a sessão caminhei em sua direção, abracei-o e disse-lhe: caro amigo Gilson Feitosa, estava preocupado com o fato de tê-lo tirado de sua terra, de seu trabalho, do convívio de sua família, para uma participação tão curta (no tempo). Pensei que convidá-lo para cinco minutos fosse desperdício, mas desperdício mesmo é oferecer para você mais de cinco minutos. Sinto um orgulho danado em pertencer a uma região que detém o privilégio de contar com a sua constante presença em qualquer Evento Científico. Desde já desejo convidar-lhe para, em outubro de 2005, ser um dos participantes do II Simpósio Nacional de Hipertensão Arterial do SBC/DHA, agora com um novo desafio: em Maceió vou lhe dar a palestra de abertura para, em quarenta minutos, você nos ensinar o que fazer quando apenas nos oferecem cinco minutos.

Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista

E-mail: mota-gomes@uol.com.br

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