Das divagações que ouvi sobre o Big Brother
até agora, sem dúvidas, a mais inteligente e humorística foi
a da talentosa Rita Lee. Ela sugeriu que as próximas eleições
presidenciais acontecessem dentro da mesma metodologia empregada
para eliminação e escolha do vencedor à semelhança do "reality
show" da vida.
Resolvi aprofundar essa sugestão, imaginando
então como funcionaria um revolucionário programa que
substituiria o enfadonho e pouco assistido guia eleitoral.
Feitas às indicações partidárias, seriam escolhidos os
candidatos que participariam das votações. Eles seriam
trancados numa casa por um bom período (sem direito a
marqueteiros para melhorar a imagem, e nem assessores para
responderem às perguntas e as dúvidas). Os eleitores ficariam
observando as suas reações e seus comportamentos, e fariam
determinadas perguntas que, quando respondidas acertadamente,
serviriam para indicação do líder da semana. Acho que a
figura do anjo devia ser poupada.
Teríamos as festinhas, para ver se sob
efeito etílico eles confessavam os delitos, poderiam até
organizar uma pelada e churrasco de final de semana para aliviar
as tensões. As câmeras registrariam tudo e depois não daria
para mandar o porta-voz dizer que não foi bem isso que desejou
fazer ou dizer. A metade da comida conquistada pelos
participantes seria destinada ao programa Fome Zero, e todos os
prêmios conquistados nas disputas internas seriam revertidos
para obras sociais, inclusive jóias. A senha para votar, por
telefone ou pela Internet, seria o número do título de
eleitor, evitando assim a fraude e eliminando, definitivamente,
a figura do cabo eleitoral. Torcida organizada com direito a
camisa com o nome do candidato apenas em dia de paredão. Boca
de urna perderia o sentido deixando de ser problema, e
resultados de pesquisas políticas não seriam de conhecimento
dos candidatos e nem dos eleitores. As câmeras de dentro do
banheiro seriam eliminadas para que ninguém assistisse os
candidatos nessa incomum e embaraçosa situação (pouparia o
público desse vexame).
No final, o candidato escolhido como vencedor
receberia como prêmio, não os sonhados quinhentos mil reais e
sim o cargo de Presidente da República do Brasil.
O único cuidado com essa forma de escolha é
no sentido de evitar candidatos sorteados por compra de
revistinhas. Nesse último Big Brother ficou patente a
tendência do eleitorado por determinadas características do
escolhido e, assim, poderíamos correr o risco de ter sempre um
Presidente analfabeto e pobre (saber se isso é bom ou ruim são
outros quinhentos).
Pensei em terminar essa prosa lançando a
candidatura de Gecilda para Presidente do Brasil. Dei o texto
para o meu colega Narciso ler e ele me perguntou: porque não a
Solange?
Havia pensado que ela bem que podia pelo seu "gingado e
alegria", além de suas "aptidões artísticas",
ser convidada (pela Gecilda) para assumir o Ministério da
Cultura.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br