Para quem tem memória curta, esse era o mote
da campanha do então candidato a Presidente do Brasil Luis
Inácio Lula da Silva. Foi essa onda de decência, que
contaminou o país de ponta a ponta, que assegurou a um
candidato operário, nascido na cidade de Garanhuns, o direito
de subir a rampa do Planalto em companhia do povo brasileiro.
Posso até dizer que no dia da posse o único pouco entusiasmado
com a cerimônia foi o velho Rolly Royce que, à semelhança de
um burro velho, empacou no meio do caminho e precisou ser
empurrado por uma massa humana movida pela esperança de viver,
a partir daquele momento, num país "limpo".
Talvez por pura intuição, naquela
oportunidade, não consegui me contaminar pela onda de civismo e
decência. No fundo, até acreditava que estava diante de uma
possibilidade concreta de inverter a atual prática política
reinante. Assim mesmo, decidi manifestar a minha opção de
forma pública escrevendo uma prosa neste mesmo Jornal
intitulada "Não votei em Lula". Entre outras coisas,
lá estava dito o seguinte: "Não votei em Lula e não foi
por medo de nada. Em eleições passadas já fui seu eleitor,
mas dessa vez votei, conscientemente, e o faria de novo (se
houvesse terceiro turno - Deus me livre), no Serra. Dessa vez
não votei em partido e nem em ideologia, e sim, no candidato,
até porque já me frustrei algumas vezes por confiar em
programas e ideários de partidos".
Seguramente, essa foi a prosa que mais
possibilitou interação com os leitores de todo o Brasil. Como
semanalmente coloco o que escrevo num Site que possui uma boa
visitação (www.armazemdesonhos.com.br),
depois da publicação recebi quase uma centena de e-mails, e
todos (sem nenhuma exceção) condenavam a minha opção. O que
reagia de forma mais suave dizia que eu era um burguês idiota e
não estava tolerando ser presidido por um cidadão de origem
pobre cuja maior virtude era ser honesto.
Paradoxalmente, se a eleição fosse hoje e
tivesse a possibilidade de enxergar antecipadamente o que iria
acontecer na gestão do agora Presidente da República de meu
país, o cidadão Lula, eu reconsideraria o meu voto e
acompanharia os mais de cinqüenta e dois milhões de
brasileiros.
Não estou dizendo com isso que considero o
Presidente isento de qualquer culpa, como ele próprio deseja,
por meio de discursos populistas, convencer parte do eleitorado
menos esclarecido, mas porque ele, mesmo sem querer,
possibilitou uma nova chance de lutarmos por um Brasil decente.
A declaração de um dos membros da famosa
CPMI dos Correios, de que se fossem indicados para cassação
todos os suspeitos faltaria quórum no plenário, é a
definitiva demonstração de que, não basta para a população
brasileira apostar na eleição de uma pessoa com perfil de
honestidade, para presidir o Brasil. O importante é que a
população brasileira (onde me incluo) aprenda a votar com
honestidade no momento de escolher candidatos em todos os
níveis. Para sonharmos mesmo com um Brasil decente faz-se
necessário começar superando as nossas "pequenas"
desonestidades.
Marco
Mota
Médico cardiologista
E-mail: mota-gomes@uol.com.br