|
Brasil: o problema é sexual
Estamos diante de um escândalo novo na Velha República. Mais uma
vez a podridão cheira bem perto do Presidente. O Assessor para
Assuntos de “Segurança”, que, à semelhança do Valdomiro (alguém
ainda lembra dele?), também tem sala dentro do Palácio, e denota
ser tão íntimo que recebe um telefonema particular do próprio
Presidente para saber o que está acontecendo, imediatamente,
embora se dizendo inocente, também bate em retirada, à
semelhança do resto da tropa.
Mais uma vez pessoas são presas com a prova do crime na mão.
Aparecem muitos reais e dólares para serem utilizados de forma
escusa por indivíduos ligados fortemente ao mesmo Partido
Político que vem se tornando perito em falcatruas.
Imediatamente, surgem figuras ilustres da República falando que
se trata de armação, que tudo não passa do desejo de tumultuar o
processo político, e ainda, mesmo diante de todas as evidências,
que não devemos agir com “açodamento”, pois se faz necessário
“apurar” tudo sem paixões, e que um caso como esse leva pelo
menos um ano para se concluir as investigações.
Do episódio recente surgem velhas perguntas do tipo: de onde vem
tanto dinheiro (a Senadora Heloisa Helena questionou se não
poderia ser do narcotráfico)?; como explicar sempre a
proximidade dos mandantes dos crimes atuais de corrupção com a
intimidade do Presidente?; como mais uma vez explicar que um
assessor tão próximo possa comandar uma operação que envolve
milhões de reais sem o conhecimento do “chefe”; e o mais
inimaginável é que a população parece desconhecer ou
desconsiderar essas questões e referenda tudo que está
acontecendo, relegando a discussão ética.
Por isso, eu que sempre acreditei que o problema do Brasil fosse
o fosso social existente, começo a acreditar fortemente que é
mesmo um problema de ordem sexual. Os escândalos funcionam como
viagra, e toda vez que surge um novo o Ibope do Presidente
“sobe”. Começo a pensar que no primeiro dia de outubro não vamos
ter uma eleição, e sim uma ereção.
Assistindo aos noticiários de ontem à noite fiquei
definitivamente convencido dessa minha teoria sexual, e, agora,
alimentado pela certeza de que dessa vez nem Freud (Godoy)
explica (Como não explicaram famosos psicanalistas
contemporâneos como Zé Dirceu, Gushiken, Palloci, Valdomiro,
Okamoto...).
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
Voltar
|